segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Inexoravelmente.

Meus domingos são sempre tão tediosos.
Menos um deles.
Ao ano, apenas um foi capaz de deixar uma marca de tamanha intensificação, quanto aquele dia que fora nublado e frio. Porém, a ferida está demorando tanto para cicatrizar...
Os momentos são únicos. As peças capazez de formá-los, estão lá por algum motivo. Cada peça tem o seu formato diferente, a sua cor em especial e o seu encaixe certo.
Estou sorrindo, pois ao fechar meus olhos, posso retornar ao tempo.
Ele não ousará em se repetir, em matéria de carne e osso, nem com muita insistência. O que é deixado para trás, são as lembranças. Um cheiro que passa na rua, uma voz que vem a mente, quando me levanto da cama. O lugar. O lugar onde tudo aconteceu. Por um tempo me privei. Me privei daquilo que eu gostava, para me livrar do meu medo. Para me livrar daquilo que persistia em me fazer sangrar. Fiquei um pouco sem música, fiquei um pouco sem internet. Eu andava pela casa, desnorteado. E toda vez que conseguia respirar, flashes vinham à tona em minha cabeça. Cada cena. Qualquer enigma que vinha me visitar, lembrava com total perfeição. Eu suspirava, tentando ignorar. A ferida toda hora tentava se abrir. E eu fazia caretas para me livrar do desespero. Me ocupava para tentar enganar os acontecimentos. Pela primeira vez, eu me cansara. Cansara de ser forte, cansara de resistir. De sempre falhar, de me entregar por completo, e ser em vão.
Hoje em dia, eu sempre repito aos meus amigos queridos. Se eu tivesse a oportunidade de não ter passado o que eu passei, escolheria por isso. Escolheria por naquele domingo, eu ter permanecido em casa. Com o meu livro, com o meu computador e com a minha gata preguiçosa. Somente naquele dia desejaria dormi a tarde toda. Me fantasiar com Lua Nova, não me preocupar com nada. Mas eu sei que estou mentindo. Como posso ser tão imprudente? Tão idiota?
Se eu não o tivesse conhecido, nunca saberia. Se eu tivesse deixado aquele dia chuvoso passar, como qualquer outro rotinal, eu jamais me perdoaria. Pois, jamais saberia na pele, o que é sentir cada toque. Cada beijo, cada palavra e perder segundo por segundo, o ar. O fôlego. Jamais saberia o arrepio tremendo que senti, passando por cada contorno de meu corpo. Aquele calor, que me confortava, em cada gesto, respiração, suspiro e promessas. Eu nunca poderia ter tido a chance, de ter a vontade de viver para sempre, em repleta felicidade na presença de alguém. De não querer perder um milésimo, um olhar, um sorriso, um entrelaço de mãos. Hunf. As vezes, acordo no meio da noite. Posso recordar o que vivi. O sorriso que tive, a vontade de nunca mais sair dali. Como viveria, se eu soubesse que eu mesmo me recusara de ter recebido o melhor abraço que já recebi?
Foi inevitável. Eu me apaixonei completamente, assim que vi.
Foi perfeito e paradoxalmente triste ao mesmo tempo, pois sei no fundo de minha essência que jamais poderá se repetir.
Único, pois pertence apenas a mim mesmo. E nunca poderá escapar, estando em eterna presença em meu coração.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Conexão.


Quando estou próximo de te encontrar, sinto uma comemoração se construir intensamente, dentro de meu peito. Como se um fogo começasse a se espalhar rapidamente, penetrando cada entranha, queimando cada canto pertencente a mim. As conseqüências são árduas e severas. A paixão requer perseverança, pois a idealização tem a mania de quebrar qualquer realidade desenhada.

A insônia impede o sucesso de meus sonhos e descanso. Cada segundo dura mil horas, a ansiedade presa tritura meus tecidos estruturais, quebrando meu pilar existencial. Sem respirar direito, digito com velocidade pelo teclado. A cada dia não consigo mais suportar a dor que sinto, ao te ver longe de mim. Sendo, assim, caio de joelhos ao chão, colocando uma mão próxima ao meio do tórax. A outra, eu arrasto sobre o abdômen, a fim de amenizar o vazio sentido. Da noite pro dia, parece que minha simples vontade de viver se passara, como um tiro disparado em uma velocidade incrível, atingindo tal alvo específico em questão se segundos. Levei um soco bem dado na boca do estômago.

Perco o fôlego, pareço carregar grandes pesos sobre as minhas costas. Preciso chegar à superfície, pois não quero morrer afogado, perdidamente no mar. O tempo se alastra, a falta me consome, um encontro desmarcado, uma fala ignorada, uma ligação esquecida, um bom humor não retribuído, tira minha base, congelando minha vontade de viver. Planos são feitos, fico perambulando de lá para cá em busca das respostas que pertencem unicamente, as questões que pairam com persistência sobre minha cabeça. Não há conhecimento, não há confiança formada. Afobação, desespero, nostalgia. Morro de saudades. Preciso ouvir sua voz, sentir seu calor, seu abraço, sorriso e beijo.

Puxo o ar com força que aos poucos me falta, tentando me livrar do aperto que minhas costelas fazem, pois tentam se deslocar de lados extremos até o centro, de meu coração. Meu coração preso e sufocado grita desesperadamente. A paixão tatuada em minha pele guia o rumo de minha vida, já que perco o controle sobre minha perplexa racionalidade. O que eu sinto ainda não é saudável, pois ainda não resultou no famoso "doar sem querer receber", muitas vezes, traduzido como amor.

Preciso te ver.

Meu cansaço tenta me derrubar, meu coração acelerado parece querer saltar em apenas um pulo para fora de minha garganta. Minhas pernas tremem e gotículas de paciência sofridas começam a escorrer de minha testa rapidamente, competindo entre si para ver quem seria capaz de chegar primeiramente ao chão.

É quando te vejo: espasmo sinestesial de sentimentos que surgem em milésimos de segundos. Pareço transbordar de felicidade. Minhas pernas aceleram sem eu perceber, minhas mãos contornam obstáculos para que o caminho se torne mais atingível. Meu cabelo dança entre a brisa do vento, que parece assobiar, propagando-se em meus ouvidos. E por mais que eu tenha o olhar concentrado em te alcançar, possuo uma expressão angustiada, juntamente com um sorriso paradoxal que contorna as frestas de meu rosto. As lágrimas não se atrevem a sair de meus olhos, pois estão presas, devido às gigantes explosões que parecem tonificar meu interior, colorindo cada átomo que me compõe.

Continuo a correr.

Palavras parecem subir como bolhas ao topo de minha boca, mas as seguro, embora minha mais alta vontade seja gritar, demonstrar sem medo, minha alegria perpétua e a sua falta por mim sentida. Finalmente te encontro próximo a mim, e pego um impulso com a força que ainda me resta, te alcançando. Recebo seus braços, que logo se contraem bruscamente em movimentos que me prendem em um magnífico abraço. Minhas mãos envolvem seus macios cabelos e segurando a sua nuca, na intenção de nunca mais te deixar partir para longe de mim, sinto seu cheiro que me enlouquece fazendo-me, delirar de momentâneo prazer.

Paraíso... Como se nenhuma única dor tivesse um dia sequer tentando me atingir.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Bum!

Realidade. Dizem por aí, que cada pessoa possui a sua única e própria. Seria portanto um presente que todos nós temos direito a ganhar. Agora, quem será o primeiro a abrir o pacote? Por mais que a realidade seja o mundo o qual vivemos, nem sempre podemos encarar tudo o que ocorre. Acabamos muitas vezes, bolando a nossa própria estratégia de ação, moldando perspectivas, encaixando as peças que seriam unicamente necessárias. Criamos, ao redor do mundo, regido da mente, a idealização e especialidade, o que chamamos da nossa própria realidade, via imaginação conceitual. Nem sempre o que há no mundo selvagem é de acordo com o que pensamos e levamos. Recorremos, assim para uma saída para o paraíso, assim digo, para o fundo de nossas mentes. Temos o direito de criar o nosso próprio mundo de vez em quando. Porém, muitas vezes, não fugimos porque queremos. Alguma distrações ignoram e ultrapassam a concentração. Temos o objetivo. O caminho até esse objetivo pode ser uma simples reta. O caminho embora simples, haverá seus desvios. As vezes voamos alto demais. Nosso desejo de sentir pode tirar nossos pés do chão e assim perdemos a fórmula da racionalidade. As vezes subimos alto demais, porque a realidade é grande causadora de dor. Por que ela precisaria ser dita ou mostrada, se ocultada evita grandes perdas, feridas ou drásticas mudanças? Pois é, aí vai uma dica para todos os que sobem alto demais. Quanto mais rápida e alta a subida, maior a queda. Então a verdade vem. Com grande velocidade. Como uma bala disparada. E quando atinge seu alvo, tudo se torna turvo. A idealização feita pela pessoa se acaba. A realidade que ela tinha não era a verdadeira realidade sentida. Tudo se quebra. A pessoa hipnotizada pela não realidade, não sente diferença, na paisagem real e na falsa. Quando a verdadeira retorna, os olhos não estão mais cegos. Falsidade, enganação, decepção. Nem sempre tudo é aquilo que os olhos veêm, certo? *Dá um sorriso tímido*. Nesse sentido, de nada a realidade se parece com a vingança, pois esta não é aproveitada devagar e sim como um flash, que chega rapidamente iluminando cada visão, em questão de segundos. Então, as três da manhã, já não conseguia mais parar de digitar. Andava pela casa, com um copo de guaraná na mão. Como então deveríamos agir? O realismo emprega a ressalva, de que nada mais importa do que a fria realidade. O romantismo indica idealização e fuga dos problemas reais. Respirei fundo e digitei. Realidade: amiga ou inimiga?
Quando temos dois termos em progressão aritmética, bom é saber a razão, para a descoberta de novos termos. Sendo assim, proponho uma balança com prós e contras. Mas nada complexo. Se bem que todas os meus conceitos são. Mas, enfim. Vamos então descobrir nosso termos. A realidade nem sempre precisa ser dita. Afinal, se podemos evitar problemas, devemos evitar. Buscamos sempre a paz e não conlitos. A não ser se quisermos morrer antes dos 42 anos com sucessivos ataques cardíacos. Mas muitas vezes, quando a pessoa está iludida, sendo esta pela paixão, ou idéias irreais, devemos presenteá-la com grandes medalhas. Mas não faça como a Julia. Mandar cinco verdades de uma vez. Vá devagar. A sinceridade é uma ótima causa. Por isso, traz lógicas consequências. Sendo essas, nem sempre tão leves. O som das notas pode soar de forma pesada. Em um tom grave. Do, ré, mi...
A realidade muitas vezes é cruel. E um ser humano não precisa encarar todos os problemas existentes. Razão para achar algo para ficar triste, todos nós temos. Cite dez coisas que ocorrem no mundo, nove serão muito problemáticas. Precisamos saber lidar e contornar com cada realidade, com cada situação. Até porque todas são diferentes, e nem sempre se batem. Há sempre fatos desnecessários que não precisam ser ouvidos. Ninguém sabe o que qualquer pessoa pode omitir. Ninguém é 100% aberto. Há sinceridades ocultadas. E isso não significa não criar confiança. Isso significa escolher. Se você escolhe não contar algo que é seu, você tem total coerência. Se você quer fazer parte desse mundo, saiba: as pessoas vão falar. E se a vida é feita de escolhas, você precisa saber em quem confiar, escolhendo. Não culpe uma pessoa porque ela decidiu ocultar certa realidade. Culpe aquela que não te livrar do sofrimento de estar cego - digo para os verdadeiros amores e amizades. Não esqueça de se culpar também, para incrível mudança. Há verdades que são como bombas atômicas. Destroem e traumatizam corações. Ache um equilibrio. Em qualquer situação você é capaz de estar pronto. Para qualquer realidade vinda, é necessária atenção. Mas não comprometimento. Talvez ela passe. Talvez não. Há a hora certa para se saber. Talvez você nunca saiba (se o seu namorado te traiu ou não). Cada um teria sua forma de pensar. Alguns gostariam de saber, outros não. Não saia semeando e catando realidades por aí. Brincar em um campo minado, pode causar, muitas vezes, grandes explosões. BUM!

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

I am free, like the wind.

Rafael adorava fazer experiências. Achava que a vida era uma mistura de tudo. Pegar um pouco dali, colocar em um pote. Acrescentar algo na solução. Diluir certa porcentagem para obter o resultado esperado, que havia sido com eficiência e esforço, elaborado. Rafael era ingênuo. Pouco sabia, que as coisas na teoria, nem sempre eram comprovadas na prática. Mas ele não tinha medo de arriscar. Rafael fazia suas pesquisas, passeando pela vida. A cada experiência arranjada, guardava uma mensagem. Cultivava o novo, sem esquecer do que era velho e bom. Coletava sentimentos e informações dando a volta pelo mundo, sempre saltitando. Como suas viagens eram longas, possuía o olhar da compreensão e levava consigo expressões de paciência. Ao concretizar seus conceitos com seu carinho e gosto, guardava em muitas caixinhas e potes. Quando esquecia de algo, pesquisava em sua coleção a melhor forma de agir. Quando achava que era a hora certa, transmitia todo o aprendizado, traduzindo-os em muitos livros escritos e trabalhados. Dessa forma, possuía uma biblioteca interminável, a qual muito era diversificada, sendo a salvação de muitos problemas. Rafael adorava experiências. Certa vez em seu grandioso jardim, viu uma pequena borboleta pousada em uma flor colorida. Admirado pela beleza da borboleta, foi dando passos vagarosamente, para observá-la mais de perto. Seduzido por sua grande beleza exterior, teve seus olhos cegados pelo desejo de querer sempre desfrutar de magnífica paisagem. Em um movimento brusco, seguindo certa intuição possessiva capturou a borboleta que possuia tons claros de cor, sendo vermelho, violeta, amarelo e branco, suas cores mais reluzentes principais que exaltavam felicidade. A manteve em cativeiro. De acordo, com essa situação, tentava ao máximo, cuidar da sua novidade. Mas de tanto observar, dia após dia, Rafael percebia, cada vez mais, que a linda borboleta já não era mais tão linda assim. Já não era mais tão surpreendido. Era sempre a mesma coisa. E ela cada vez mais, parecia perder sua beleza. Parecia triste, de tão aprisionada. Rafael, não conseguiu entender o motivo para aquilo acontecer, parecendo confuso e pressionado a tomar alguma medida. Ela parecia não ter mais vontade de viver. Rafael, com puro impulso, após quebrar muito sua cabeça de pensar, resolve soltá-la. Sim, doeu muito, afirma. Teve que quebrar todo o seu medo, optando pela insegurança. Por ela estar sempre presa a ele, não tinha escolha própria, assim não havia gosto e confiança formada. Junto a isso, ao soltá-la, ninguém sabe quando ela poderia estar de volta. A borboleta parecia confusa ao voar, mas agora, podia ter seu tempo, fazendo suas escolhas. Mas o sol desceu muitas vezes ao horizonte, e a lua parecia sempre ter grandes sorrisos quando nascia. E assim, dias e mais dias se passaram. E numa bela manhã, Rafael já havia acordado, para regar suas lindas plantinhas. Estava distraído, com pensamentos avoados, e com cabelo sobre os olhos. Quando se virou, para admirar e falar com certa flor (quando a gente conversa, as plantas costumam crescer, de forma mais rebuscada e formosa), notando a bela borboleta pousada. Rafael abriu um belo sorriso. Sentiu-se tão bem. Tão querido. Tão especial. Que felicidade. Não trocaria aquilo por nada. A borboleta parecia estar muito mais bela que antes, além de estar maior, por si só, dotada de bela astúcia, cor, pose e saúde. Parecia com tamanha vontade de viver. Voou por cima do menino. Deu voltas em torno do seu corpo, pousando em seu ombro. Rafael acompanhou cada movimento, girando em torno do seu próprio eixo, a acompanhando, parecendo dançar sobre si. Rafael disse doces palavras. Mostrou tudo o que tinha de bom do seu jardim e dele próprio, à ela que parecia adorar cada momento. A borboleta despediu-se. Rafael não se sentiu mal e com um grande beijo, ela rumou aos céus. Rafael fechou seus olhos, esticando seus braços. Alongou-se. Sentiu o vento frio matinal em seu rosto. Sentia-se livre. Exatamente como ela. Tudo o que é livre, uma hora, retorna, assim pensou, concluindo. Precisamos de nossos limites e espaços. E sentiu-se leve, exatamente como o vento, que vagava por ali livremente. E assim, seus pés já não tocavam o chão. Não mais.

"Eu sou o vento. O vento que sopra livremente."

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Ansiedade.

O tempo passa devagar. Me perco nos meus pensamentos. Me encho de idéias. Dúvidas, insegurança, nostalgia. Me deito na cama, minhas pernas ficam para fora, sobrando. Tenho o celular na mão, esperando alguma salvação. E de repente descrevo o que sinto. Como se eu estivesse numa casa. Eu entro na mesma. Que silêncio, que mistério, que vazio. Era pequena, mas eu complicava. E assim me perdia, me alastrava. Sem saída, ou saber o que fazer, eu corro em direção as escadas. Tenho uma intuição. Eu subo escada por escada, e ela é toda circular, sendo assim enorme de se seguir. Os passos são ouvidos e estes produzem eco pelas molduras da casa. O chão de madeira cada vez mais range, pede ajuda, faz a pergunta sem a resposta. Eu pulo degraus, outros vou mais devagar. Mas pareço nunca chegar ao topo. Eu aumento a velocidade, há desespero regido em meu coração. Ele bate fortemente, resistindo as feridas. O suor desce pelos meus cabelos, meus músculos tendem a doer. O calor sobe entre o contorno do meu corpo, meus olhos diminuem de tamanho. Minha respiração aumenta de frequencia, minhas pernas ficam bambas, e meu coração parece querer sair pela boca. Não presto atençao no que está dentro da casa. Vejo quadros de relance. Não presto atenção onde fui parar. Mas continuo subindo. A sombra da casa, reflete no meu rosto, prende minha alma e tortura meu espírito. Dou suspiros que expressam socorro, força, luta, perseverança, mas junto com o cansaço ao quadrado. As correntes que prendem meus pés, são quebradas, porque quero chegar a superfície. Quero buscar meu ar, quero saber onde posso chegar. Depois do sufuco, depois do que é tenso interiormente, de intensa pressão, precisa se libertar e sair. Eu arrisco. Eu cruzo pelo meu ultimo degrau. Meu ultimo obstáculo. Talvez minha grande vitória ou meu brusco erro. Eu alcanço o quarto. A realidade volta e me visita. Caio no chão de joelhos. Com o cabelo semi molhado de suor a testa, respirando desesperamente. Minha pupila dilatada, meu sangue vermelho incandescente. Extremo, em pranto. Sensação de ar natural que destroi o que me auto-destrói e corrói. Meus olhos se correm de lágrimas e finalmente, trêmulo e sem voz, depois de dar muitos socos no chão, para liberar minha raiva, fico sem força, sem reação. E então em um grande impulso sinestesial vomito toda a minha ansiedade aprisionada.

domingo, 9 de agosto de 2009

Asas e raízes.

Ao londo do curso da vida, nos tornamos individuais. Lógico que sempre tombamos um pouco para lá e um pouco para cá. Ao entrarmos em relações, podemos ser um pouco mais altruístas para um bem maior, para um amor maior. As vezes quando queremos nos privar ou salvar de qualquer dor, usamos a cura do individualismo, muitas vezes confundida com o egoísmo. Teoricamente, pensar em nós mesmos primeiramente é um desejo maduro o qual devemos usufruir, mas lógico que nada em excesso, porque faria mal a qualquer expectativa pregada. Se na vida, apesar de tudo, nós somos nós mesmos e devemos agir como achamamos que será o melhor, sempre preservando nossos objetivos (em todas as esferas da vida) por que criar raízes? Objetivos seriam qualquer coisa importante a ser seguida. Uma relação, um amor, uma profissão, um sucesso, uma independência. Não sabemos onde estaremos no ano que vem, ou até mesmo no dia do amanhã. Não existe algo mais incerto que o futuro. Ao deixarmos um carro na rua estacionado e ir comer algo, que garantia teremos que ao retornarmos ele estará lá: intacto e preservado? O sucesso pode ser caro de vez em quando e coisas importantes talvez tenham que ser abandonadas pelo necessário inovador. Me coloquei a pensar. Em termos de relação, em qualquer campo vital, eu não conseguia parar de me perguntar, para que se prender?
Quem se prende, sente na pele áspera o tom da dor sentida, ao não acertar qualquer tiro disparado. Quem é mais livre e solto, como as borboletas que retornam ao jardim, conseguem se sentir completas, em muitas opções, em muitos tempos e lugares, talvez apenas com a própria companhia, mas quando precisam de certa confiança, amor e apoio, falham-se. Alguns gostam da certeza. Da certeza de que aquilo vai dar certo. Alguns gostam de acreditar em sonhos travados, sem nunca se permetirem cair. E para os que caem, sempre se permetirem levantar. Outros gostam do incerto. De que TALVEZ tudo melhore. Não chamaria isso de pessimismo, mas quem sabe um realismo total? Mas toda pessoa que é totalmente incerta vive com muitos problemas. O mesmo para uma pessoa certa que se prende e se apega demais. Uma cor não vive bem sozinha. O melhor quadro é aquele pintado com o tom e brilho de todas as cores juntas, que parecem dançar entre si. A saída de emergência, se encontra a sua esquerda. Basta empurrar a porta: podemos ter a certeza de fechar os olhos para aqueles que a gente confia. Lógico, falo dos poucos e bons. E se a corrente for quebrada, podemos resistir a dor. Porém, devemos ser incertos com tudo o que não é confiante a nossa volta. Ou seja, para todo o mundo. Seremos incerto, sem qualquer ilusão, sendo realistas, mas usando o otimismo como sujeito da frase principal, já que não sabemos o que pode ser do amanhã. É ter certeza de escolher a quem ou ao o que se apegar. Porém, o que tiver de ser será, e estar preparado para isso é essencial. Se você se prende a qualquer coisa ou pessoa a qual goste, eu admiro tal escolha. Mas saiba estar preparado se algo acontecer. Bom é pensar positivo e seguir em frente. Por mais que o lado da moeda seja negativo, somos seres humanos fortes. Caiu, levanta. Viver é ser forte, porque no mundo há tantas coisas tristes. Podemos ter asas para voar, mas raízes para retornar a superfície. Sinto pena daqueles que fogem dos outros. Que vivem com o pé atrás. Confiar em si mesmo é importante. Mas viver sozinho, não é uma opção esperta. Tolos são aqueles que tem medo de entregar sentimentos. Que vivem com o pé atrás sem confiar em NINGUÉM. São aqueles que acham que não vão se magoar, que acham que conseguem pular facilmente de qualquer problema. Mas sofrem do mesmo jeito, sofrem por não possuírem ninguem próximo com total confiança, por não possuírem qualquer amizade ou amor verdadeiro. Sofrem com a insegurança de não terem nada certificado. E mal sabem, que realmente, tudo na vida pode passar. As pessoas, o tempo, os lugares, a vida, a idade, a beleza e até mesmo algumas lembranças e sentimentos. Mas o amor e a amizade, digo é claro, aqueles que são de verdade ... Ah, meu bem ... estes, o tempo não haverá de apagar.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Sob.

Em um mundo o qual a perfeição não existe, estamos dispostos a ter muitas falhas. Se sabemos que até mesmo o mais perfeito diamante lapidado pode conter imperfeições, ao aproximarmos os detalhes, o que nos faz buscar polir nosso exterior? Se ao pegarmos um livro desconhecido, jamais saberemos qual será o seu conteúdo até abrirmos e folhearmos com exatidão as suas numerosas páginas. Talvez surpresas podem ser ganhadas, surpreendendo com alta conteúdo, ou a decepção pode ser armada. Como um livro tão lento e descritivo como qualquer um que represente o realismo Machadiano, pode conter tanta abudância de conteúdo abstrato? Há medida que o tempo passa, trocamos de figuração: o exterior se enfraquece, o interior se fortalece. A medida que nós caminhamos, nos deparamos com todas as cascas das pessoas. Nossa primeira imagem, seria o que a pessoa parece ser por fora, tanto em essência, como na aparência. Dois sanduiches feitos acompanhados de um mate-leão maravilhoso feitos a mão, me fizeram sentar no sofá para refletir. Fechei os olhos na minha sala pouco iluminada e me perdi nos meus pensamentos. Ao fechar os olhos, me senti cair lentamente. Desgrudei da realidade repentinamente e tudo perdeu contexto e forma. As palavras se formavam, junto com as perguntas e num local abstrato, eu procurava minhas respostas. Quando o momento assobiou em meus ouvidos: Se as aparências enganam, por que confiar e contar com qualquer beleza exterior? Abri os olhos e bebi meu mate.
Beleza exterior como reputação e estética contam muito. Afinal, como a maioria das pessoas, mal sabem ter conceitos. Acabam adotando assim, como a própria palavra diz: pré-conceitos. Porque não pensam, não refletem e estão ocupadas com outros detalhes. Aquilo que agrada os olhos, pode enganar o coração. As pessoas que são muito bonitas, desejam estar com outras muito bonitas. Geralmente. Se você é qualificado e inteligente, por que iria desejar ganhar apenas um salário mínimo? Se você tem capacidade de trabalhar em uma boa empresa, podendo um dia receber dinheiro digno e ser rico? As pessoas confiam no que aparentam ser, mas mal percebem que sendo ótimas por dentro, resultarão ótimos resultados por fora. De nada adianta, ser tão bonito, se internamente não é nada. A beleza exterior fica estagnada quando a interior não é boa apresentada. Mas a maioria das pessoas, tanto no campo profissional, quando no emocional, buscam o que é menos complicado, o que é mais fácil. O mais superficial, pois o tempo é corrido. "Se você for bonito por fora, as pessoas vão te perdoar por ser feio por dentro". Tentei discordar da frase. Mas infelizmente, o mundo de certa forma era assim. As pessoas são frívolas, materialistas e superficiais. Poucas são aquelas que gostam de se aprofundar. Eu podia acreditar que aquilo era mentira, mas não era. Até eu mesmo, já tinha me enganado muitas vezes com as aparências das pessoas, pois não tive paciência, nem esperança de estudá-las por dentro. Me levantei. Nós precisávamos de uma boa reputação para sobreviver. Não é tudo simples. Falar é fácil. Mandar uma assim: nunca vou mudar para agradar os outros... é mais fácil ainda. Eu quero ver é fazer. Até parece que cagar pro mundo e pra sociedade adianta em algo. Quando der para evitar sofrimento ou problemas, evite. Agora, quando a exclusão vier e as portas se fecharem, sozinho e sem recursos você não há de sobreviver. Porque não podemos sair por aí, agindo da forma que a gente quer, da forma que a gente sente e é. Tudo tem limites. Mas que tolo são aqueles que buscam a beleza inovadora, como fonte principal. São pessoas que cegas, assim estão. E cansadas de saber que o tempo passa e junto com ele tudo se vai, principalmente o corpo, deixando unicamente em estado vivido e brilhante, a mente, a alma e a estância do coração.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Definição indefinida.

Se eu pudesse dividir a vida em dois conceitos, não sei se teria grande êxito. Porém, acho-me confiante em estabelecer classificações, divindo resoluções em apenas duas caixas vazias e estas seriam, o racional e o sentimental. Exatamente as nove e quinze da noite naquele dia, já eu não me aguentava mais de pensar. Quando entramos no ínicio de uma relação, o racional nos basta. Mas e para aqueles que estavam sempre envolvidos tão cedo, no campo oposto? No final, nas idéias, o que nós buscamos? Pretendemos sempre buscar a idéia mais certa e racional, mas sempre com uma carta na manga por trás, seguindo nossos sentimentos. Portanto, seria meio dificil eliminar uma das duas opções, elas estariam assim, casadas, sem direito a divórcio. Não só em apenas relacionamentos, mas como um todo em uma busca literalmente do livre arbítrio de viver, quando precisamos resolver problemas, ou sermos críticos com nós próprios, os dois amplos campos necessitam de um equílibrio para uma definição de resposta. Ao entrar no elevador, a pergunta veio finalmente me visitar: sentimentalismo e racionalidade, equilíbrio definido ou vago?
Por mais que tenhamos que ser racional em alguns aspectos, nossa racionalidade pode falhar, pois nem sempre sabemos as atitudes e sentimentos das pessoas. Do lado ao contrário da imagem, o sentimentalismo pode ser fragilizado, ao estarmos cegos por algo forte. Quando estamos cegos, pela dor ou sofrimento, alguns conseguem achar a saída, optando pelo racional. Outros, continuam sofrendo, buscando ganhar o desejo de seguir um sentimento forte. Em uma competição, se sabemos a hora que vamos perder, por que simplesmente não nos rendemos? Temos a esperança de alcançar nosso objetivo. Isso não nos faz desistir. Mas muitos são os espertos que sabem seus limites, pois ao tentar sempre a mesma coisa, parecem idiotas perdendo o precioso tempo. Aos poucos, as pessoas estudam o que sentem e tomam medidas racionais. Ou irracionais, quando ouvem demais o coração. Ao fazer a tabela de prós e contras, uma medida deve ser tomada. E não adiada, não esquecida. Então, meu interfone tocou. Por mais racional que eu pudesse ser, não podia atender. Mas ele tocou novamente. Eu não atendi. Eu apertei o botão que abria a porta. Quanto mais os segundos passavam, mais eu ouvia o meu coração. Mas seria eu tolo? Se era a medida certa ou racional a ser tomada, nunca descobri. Quando a porta abriu, ele me abraçou. Fiquei ali parado, queria que o tempo congelasse. Ao sentir seu carinho, seu cheiro, nosso momento. No final, eu senti na pele o quanto os sentimentos marcavam mais. O quanto valiam mais. O quanto a minha felicidade preservava isso. A resposta não era complicada. O coração no final, tem o dom de mandar, afinal é unicamente ele que decide ser racional ou não. Quando este é racional, o equilíbrio se torna definido. Mas quando não é, aí são outros quinhentos. Então... eu podia ver uma luz, eu conseguia sentir o seu calor... Entrelaçamos as mãos e desaparecemos da realidade.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Em branco.

Você vê a ponte. Você confia. Você sabe. Você sente. Você escolhe. Pisa na ponta. Confere o material. Parece ser resistente. É tão firme que você checa cada pedaço, cada parte. Cautelosamente, você põe o primeiro passo e se sente feliz em poder começar a cursá-la. Ao atravessar a ponte, como todo esforço merecido, no final, há um prêmio a ser ganhado. Mas você está ansioso. E ansiedade, como minha amiga mesmo disse ontem: é uma merda. A ansiedade ignora os detalhes, ignora a paciência e o esforço de conseguir o que se pretende. E afinal, você quer chegar logo ao prêmio, quer sentir a sua felicidade. Sentir o reconhecimento e a gratidão de ter batalhado por aquilo que lutou. Mas mesmo com pressa e vontade de sair correndo, você respira fundo. Você percebe ao longo que caminha sobre a ponte, que o fato de você chegar ao outro lado não depende só de você. Imprevistos podem ocorrer no caminho que podem te impedir de alcançar tamanho objetivo. Durante o percurso, você se sente muitas vezes perdido, muitas vezes solitário, inseguro, com medo que talvez não possa seguir em frente. Mas a luz aparece, a cabeça é erguida e você se levanta disposto a qualquer coisa. Você não sabe quando a ponte irá terminar, você vai descobrir somente no dia em que você conseguir ver o outro lado, ou o seu término. Ela pode ser longa, pode ser curta. É todo um mistério que você deve controlar, sempre tentando matar a curiosidade de detetive para desvendá-lo rapidamente. E passo a passo você caminha. Você só segue, só trava um objetivo, você não quer falhar, você investe, dá de tudo que você pode, persiste, resiste e usa a perseverança como uma fórmula mágica. Alguns tremores são sentidos. Alguns sentidos são testados e aguçados. Retornar é possível. A dor pode chegar e você deve resolver se deve surportá-la. Mas até onde valeria a pena? Deve procurar saber o porquê daquilo acontecer, sem deixar nenhuma pista passar dos seus olhos. Você sente mais tremores, isso te assuta mais. Você para na ponte. Fica indeciso. Você precisa ser calculista. Escolher onde deve pisar, de que forma deve pisar. Um pisão em falso e pode ser o fim. Ou quem sabe não. Espera alguma resposta, algum conselho, alguma reflexão de como deve prosseguir, se deve mesmo, como deve agir e reagir. Mas parece não chegar. A insegurança parece aumentar e algumas coisas complicam. Mas logo, tudo parece estar bem, a neblina abaixa e auto confiança resistente se implica de novo em caminhar vagarosamente. As pistas vão chegando a medida que você prossegue, você vai conhecendo, se acostumando e conclusões podem ser tiradas, assim como mensagens ou não. Depende do seu raciocínio, lógica, conceitos e formas de pensar, a situação pode ser levada da pior forma para a melhor. Pode ser aos poucos conquistada, ou negligenciada. Depois de um tempo, aquilo que você temia acontece. Realmente do nada, a ponte quebra. O porquê dela ter quebrado, você realmente não sabe. Só sabe que se tem alguém a quem culpar seriam as duas pessoas que a sustentam. Você com certeza, não queria que ela quebrasse. Você se desaponta, você achava que era seguro. Achava que ela podia resistir mais aos empecilhos. Mas você ainda não caiu. Está tudo em branco. Sem resolução. Você se segurou em uma corda, que estava na lateral da ponte. Você está lá, esperando a pessoa vir te salvar. A sua parte você tenta fazer. Resistir. Você pode tentar subir à ponte de novo, pode tentar reconstruí-la, mas você precisa de uma permissão, de uma definiçao e resposta. Você pode soltar a corda, esquecer do que tinha planejado, esmurecer no sonho, chorar de dor. Ou você pode confiar, que a pessoa pode vir te buscar e que vocês podem reconstruir a ponte. Eu espero que ela venha até mim. Só espero não cansar, espero que minhas mãos não ardam de dor, espero que minha esperança não se vá facilmente, espero ter o espírito de um guerreiro para aguentar e o pior: espero poder aguentar caso ele não venha. Espero poder aguentar a queda e não morrer. Espero não estragar meu sonho, minha vontade de persistir, por causa de uma simples e PEQUENA rachadura que não significa ser o final. Por uma simples rachadura que pode ser consertada se ambos quiserem. Não sei se conseguirei completar meu objetivo e ganhar minha recompensa: a alegria de encontrar a confiança e a felicidade de me esbaldar com o amor. Mas se um dia eu conquistar, jamais irei esquecer de como fui feliz.

domingo, 19 de julho de 2009

Obsessão.

Frio, incalculável, uma casca ríspida de rígida a quem vesse a carcaça por fora. Nunca era atingido. Usava uma roupa total independente e agia como se nada fosse importante. Exceto quem eu amava. As vezes até mesmo de minha pessoa, eu não me lembrava. Não me inturmava com ninguém. Meu pensamento era unicamente para aquela pessoa. Não podia desperdiçar meu tempo dedicando meus pensamentos e gestos com qualquer outra pessoa. Tinha um olhar por cima de todos os outros, como se as pessoas a minha volta não representassem nada para mim. Como se eu fosse superior a todos. Eu e o meu sentimento. Eu estava ali para executar a minha tarefa, do lado da pessoa que tinha me contratado. Da pessoa que estava sempre comigo, que acreditava em mim. Nada mais me importava. Tudo o que eu fazia, era para aquela pessoa. Eu só tinha uma razão de viver. Meu amor por ela era o amor mais forte que podia existir. Eu não iria e nem queria traí-lo, pois vivia em função dele, da sua felicidade, sendo altamente atruísta com o meu amor e totalmente egoísta com o simples resto, que eu chamava de mundo. Mas ele nunca me tratou bem. Eu observava os casais apaixonados e como eles se importavam um com o outro. Ele parecia estar comigo apenas para realizar o meu trabalho e não em desejo do que eu queria conquistar, o meu utópico amor. Nunca me dera um presente, um sorriso, só falava o que eu devia fazer, o que eu devia cumprir, nunca dedicou nenhum tempo para mim. Desejava estar afastado, não queria contato sentimental nenhum. Depois de muito tempo eu tinha perdido as esperanças. Vi que toda vez eu esperava o que eu não podia conseguir. A minha insegurança velada tinha sido transformada em um mar de ilusões perdidas, com a frequencia do medo. Eu toda vez, lutava, e só recebia pancadas, por ser teimoso nunca havia desistido. Mas eu era inocente, tolo, e qualquer adjetivo ruim que você prefira me dar. O motivo por ter não só o meu amor-paixão-carnal-obsessivo, mas sim a minha possessividade-compulsória de te-lo comigo, era o fato de ele ter me salvado e acreditado que eu podia ajudá-lo com a minha tarefa. Por isso tinha me contratado. Por servir unicamente a ele, treinar ao seu lado, eu me apaixonei. Mas na minha cabeça, se a coisa não era do jeito que eu queria, não acontecia. Aos poucos eu ia sendo despedaçado e minhas partes mortas resultantes do meu corpo se alastravam pelo chão, tentando sobreviver e respirar, de tanto ódio e dor que regia em meu coração. Minha ultima conversa, levei-o para um parque. Perguntei a ele se ele por acaso, se lembrava do local. Se fez de desentendido. Nunca respondia o que eu queria. Não se preocupara em sequer algum momento. Foi naquele parque que ele tinha dado o meu novo nome. Nem pensei. Tinha descoberto a muito tempo que meu amor nunca seria correspondido. Tinha vivido anos por uma pessoa, e não queria mais viver. Peguei o próprio riffle, que ele havia me dado, pois esse era o meu trabalho. Assassinar pessoas à vontade dele. E atirei em sua cabeça. Depois me matei, atirando em meus olhos. Por ironia, o assassino que ele criou o próprio matou. E agora, nós estávamos juntos para sempre.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Fantasmas.

Quando eu acordei de madrugada assustado, não acreditei na sensação que tive. Estaria vendo coisas? Com medo de fantasmas e assombrações, liguei todas as luzes da casa. Liguei sem nenhum remorso, e essa era a verdade, a conta de luz não era paga por mim. Após me acalmar, o que supostamente me assustava passou e consegui dormir novamente. Após o colégio, queria chegar em casa para matar minha fome. Porém uma loja me distraiu, quando eu notei que um conhecido meu estava lá, gritei o seu nome, quando ele me olhou. Eu sabia quem era. Estava renovado, tanto no corte de cabelo, quanto no estilo. Disse meu nome com vigor, parecia animado ao me ver. Achando que só ia receber um 'tchau', antes de me se despedir, pensei: É só isso? Então, ele lançou uma assim: Foi bom te ver. Se tinha poderes espirituais para ler minha mente, eu não sabia, mas fiquei mais contente em receber tal frase. Meio ainda tonto do tropeção que eu tinha dado, com uma paixão antiga, fui andando me lotando de pensamentos, lembranças e vultos pareciam passar de lá para cá trazendo flashbacks repentinos. Fantasmas novamente, vinham me perturbar. A sombra do passado retornou ao meu presente, trazendo todos os fantasmágoricos momentos. Casa. Simplesmente o que eu tinha planejado para minha tarde toda, durante dois dias, tinha se quebrado, não se passando de um idealismo, ou algo inconcreto. Algo abstrato, que você tenta esconder, tocar e não consegue sentir. Novamente parecido com alguma assombração ou coisa invisível imortal. Recebi um rápido 'sms' escrito: Não vai dar pra eu ir, depois te explico. Não satisfeito em conviver com meu próprio azar e mal humor, juntei o material de química e fui tirar dúvidas que eu nnem sabia quais eram. O dia me passou a perna de tão rápido que se seguiu. Finalmente à noite, eu percebi que algo paranormal estava acontecendo, ao conversar com uma pessoa favorita, tive respostas frias e desnecessárias. Era incrível como eu entrava num jogo e não sabia administrar meus medos, tinha medo de não me garantir. Eu tinha medo de perdê-lo. Tanto o que eu falava no momento, quanto o que tinha sumido e que ainda não tinha entrado para me explicar a situação. Perdi o pincel que eu havia comprado. Eu aos poucos percebia que estava sozinho, que jogava sozinho e que eu não tinha nada a perder, simplesmente porque não havia conquistado nada. Não sei se bateu o santo em mim ou nele, mas antes de dormir, discuti para variar, seriamente e enfrentei novamente o que eu não entendia. Mas entre todas as opções, respostas e finalidades, eu percebi, que desde a noite passada, eu enfrentava aquilo que eu não queria enfrentar: meus medos, desejos e emoções. Eu estava fugindo fazia um tempinho.
Bom, o fantasma chamado amor, estava novamente me assombrando. Já tinha entendido o porquê de não ter conseguido dormir na noite anterior.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Sono.

Rasgo meu papel escrito com todas as suas expressões. Escrevo palavras que possuem sensações. Eu sonho com aquela perfeição, talvez me perca sem sentido, ao bater ao chão. Eu quero tudo o que existe, o que transcede de paixão. Sou rígido, frívolo e direto. Porém me perco (e me vejo) confundido como um tolo apaixonado. Mas do que posso viver, se não idealizar, certa pessoa imaginária haverá de chegar? Em cada papel desfalecido, um adjetivo é achado. Depois de um, dois ou três. Tentativas, chances lançadas, me atiro no vazio outra vez. Sem concretizar idéias buscadas. Atrás de você, seria eu capaz de tudo? Exigente seria, bom de pensar? Se o amor que eu luto, é tão dificil de se achar. Levanto-me decidido, erguido com alta postura. Mesmo derrotado com toda aquela difícil amargura, sigo em frente. Encontro um buraco, não me caio em seguir. Daquilo que me é decorrente, ao mundo que me pertence, enfrento problemas para te encontrar. Muitos espinhos, bruxas, feitiços, pragas de alguém. Naufrágios, labirintos distintos com grande opressão. Uma rua sem luz, numa tremenda escuridão. Que confusão certeira. Só espero, que entre faces, mensagens, tempos e lágrimas, não me canse de te procurar. E que assim, que o fizer, não temer a resposta. Ou quem sabe a verdade. Me olho no espelho e vejo que sou. Nada demais a mais do que aquele princípe encantado. A procura da mulher mais cobiçada. Espero da tortura, não cair da ilusão. Ilusão do desejo de ao realizar, não notar com total fantasia, que era eu o tempo todo: a própria princesa que dormia.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

So, can we have all?

E então? Nós podemos ter tudo? Sempre quando vemos algumas situações dificéis, não sabemos exatamente de que forma poderíamos agir. E muitos dos casos, ao invés das mesmas ficarem mais fáceis quando indicamos propostas, tornam-se mais complicadas. Mas para a pergunta que parece ter um simples "não" como resposta, vale a pena ser respondida e discutida. Seria mais fácil, ao ver de alguns e mais dificil ao ver de outros, mas eu compararia a palavra "tudo" com a palavra felicidade, assim dividiria seus conceitos e as defeniria, talvez não ao pé da letra, pois as palavras não possuem alto teor de definição, mas sim em grandes partes de suas respectivas essências. O que seria a felicidade para cada um? Um tema bem amplo e traiçoeiro de ser debatido, porém bem interessante. Dizem por aí, que as pessoas vivem para que no final possam ser felizes. Mas cada um tem a sua própria felicidade. Como você consegue ser feliz? Com muito dinheiro? Com muitos amigos? Com um ótimo trabalho? Ou quem sabe, apenas com pouco, amando sempre o outro? Felicidade é a sua paz interior. O que te deixa bem, tranquilo, alegre, querendo saltitar. Ao longo da vida, devemos ser felizes. Me disseram uma vez, que não adianta seguir a vida e ser feliz apenas no final. O que importa é o percurso. Estaria eu, errado? Hmmm, mas que chá delicioso. Maçã com canela. Vou mudar de posição, minha bunda já está quadrada nessa cadeira. Agora estou mais sexy.
A tristeza pode ser muitas vezes buscada antes da felicidade, pois muitos tolos adoram se fazer de fortes. Mas não percebem que ao buscar a felicidade, obstáculos serão vistos e pedras teriam que ser passadas de algum jeito ou de outro. Então melhor, do que procurar aquilo que te mata com prazer para te fortalecer, seria mais esperto, procurar aquilo que te faz feliz. No final, os obstáculos seriam quase os mesmos, mas com uam diferença: você estaria feliz. Seriam dois coelhos mortos com um tiro só. Ah, mas eu não sei o que me faz feliz! Aí amiguinho, não podemos chegar em conclusão alguma. Por que não damos então o primeiro passo? Se o que te faz feliz, é achar o próximo, lute por cada personalidade achada. É bom lembrar da sociedade, afinal se a sua felicidade é matar as pessoas, lembrem-se que mesmo estando no Brasil, isso teria punição e não seria uma coisa saudável para a sua própria mente e espírito. Por isso digo, que a felicidade precisa ser saudável. Voltando aos argumentos que estavam sendo fundamentados... Se a sua felicidade é ter dinheiro, vá trabalhar! Você não é pago para acreditar nos seus sonhos. Já captou a mensagem não é? Se isso fosse uma novela, eu daria uma comercial agora, só para deixar vocês com gostinho de "quero mais". É simples, se na vida, queremos tudo, se na vida, queremos ser felizes, devemos batalhar por isso. Mas é de verdade. Afinal, nós jovens adoramos uma moleza, pois não pagamos nossas contas. (Há as suas execeções). Voltei! Tinha ido na cozinha para pegar um pouco de água. E você não vai acreditar que o gato daqui começou a miar sem parar... Foi muito contagiante! Quase o respondi, miando da mesma forma que ele. Comunicação é algo necessário. Retornando e deixando de lado meus espasmos.
Ontem vim para a casa de uma amiga. E mesmo com todos os meus probleminhas, deixe-os de lado. Há algum tempo eu venho dando valor as pequenas coisas da minha vida, sendo cada vez mais disposto e otimisita, ficando "melhormente" ( se a palavra não existe, acabei de criar um neologismo, viu? Meu blog também é cultura, -Que?) comigo mesmo. Aos poucos eu já me tornava cada vez mais feliz. Não há explicação, simplesmente você abre o seu coração para tudo o que há de bom. Simplesmente você para de cultivar coisas ruins. Chegando aqui, só percebi, nada mais, nada menos que com ela, tenho tudo o que sempre desejei. Não só uma das melhores amizades formadas, como também uma felicidade inexplicável, acompanhada de muitos risos e histórias. Foi aí então que eu percebi. Se era possível ter tudo, eu já lá não sabia. Mas por que eu iria me preocupar em procurar coisas sem sentido, se a minha felicidade estava aqui do meu lado, sorrindo, de mãos dadas comigo? Eu já tinha tudo o que eu precisava. Isso já me bastava.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Neblina.

Quando me deparo entre a realidade e o sonho, me vejo vagando perdido, por causa dos não limites encontrados. De repente sonhamos com tudo o que de fato, nos agrada, e no que nos deixa felizes. Mesmo assim, entre a ponta de um e o ínico no outro, traço uma corda, para ver até onde eu chego, até onde posso caminhar, mas é impossível prever qualquer limite. Queria delimitar exatamente como os Trópicos de Cancer, Capricórnio e O Equador, mas geograficamente não consigo me situar, achar minha posição, minha latitude ou longitude. Os anos passam e colocamos aquilo o que sonhamos em frascos. Alguns frascos são maiores que os outros, outros são menores. De repente um frasco pode ser aberto e tudo o que você idealizou e guardou se torna em questão de segundos uma realidade. A realidade porém pode ser fantasiosa e machucar com ilusões causadas. Isso acontece, pois nunca conseguimos discenir o que pode ou não acontecer, o que seria real, fixo ou passageiro. Quando o frasco é aberto, é difícil de fechá-lo, pois gostamos de presenciar o sonho que está acontecendo. Mas nem sempre o sonho pode continuar e ao forçarmos, nos batemos com um muro de tijolos vermelhos. Mesmo perdido, e me ausentando em saber aquilo que sou formado, paro de me fazer perguntas sobre como tudo se criou, ou seja se essa é realmente a realidade ou não. Quem sabe a vida possa ser um sonho, esperando ser acordado? Independente disso ou não, esse curso é preciso ser vivido com boa intensidade, afinal não sabemos se é o único que existe. As decisões da realização de cada sonho unicamente pertencem aquelas que são seus portadores. Eu mesmo com os pés no chão, não entendo, muitas vezes a atitude de muitas pessoas, ou seja, a própria realidade de todas elas. Me confundo ao decifrar o que querem ao que buscam. A vida dá voltas e tudo é um ciclo. Por isso que ao voar, consigo retornar ao meu chão.
Eu não sabia se existia, não sabia onde estava, mas estava certo do que eu sentia e tomei uma decisão. O que é confuso não era mais. O dono da vida, sou eu. Tirei assim, a neblina do meu coração e agora enxergava tudo com exatidão. Se existo ou não, não posso responder, mas meu espírito vibra, simplesmente por acreditar que existo.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Instinto.

Eu não podia. Não consegui evitar. Algo abstrato foi mais forte que eu. E que força. Seria errado. Ele amava outra pessoa. Eu amava outra pessoa. Os instintos já estavam misturados. Sentia cada fôlego e inspiração no meu pescoço. Os beijos subiam do pescoço a boca, borrando cada forma, cada contorno. As bocas se amassavam bruscamente ao se tocarem e a respiração ficava cada vez mais tensa. Os braços me imprensavam, não podia me mover contra, não tinha força e nem ao menos queria. Sabia que nós dois queríamos aquilo. Dependendo do referencial, isso podia ser bom ou ruim. Minhas pernas trêmulas foram envoltas ao seu tronco e cada vez com mais força, de acordo com o ritmo eu batia no obstáculo atrás de mim: a parede. As mãos passavam do seu cabelo ao seu rosto. Os olhos muitas vezes me encaravam me lançando olhares de intenso prazer excessivo. O desejo estava expresso no olhar. A vontade insana de tê-lo naquele momento me fazia continuar. Estávamos dispostos a passar limites. Aquilo me matava. Eu não precisava de palavra nenhuma. Mas mesmo assim ele murmurrou algumas. Exatamente as que eu queria. Foi lentamente até a minha orelha, enquanto meus braços o contornaram pela cabeça em direção ao pescoço. Não aguentei. Aquela intensa sensação me fez delirar. A respiração combinada com o gosto do beijo ali lançados. Meus sentidos se juntaram. Era compulsivo. Era inevitável. Meu corpo não me obedecia mais. Ele não podia parar. Era preciso ser forte em resistir. Me contorci e soltei altos suspiros. Naquela altura já não dava mais. Sentia seus gemidos baixinhos e isso aumentava o que eu tinha preso em mim. Aos poucos fui me soltando. Devolvendo. Vendo que eu conseguia deixá-lo louco. Não podia mais me conter. O suor dele fazia parte de mim. O seu cheiro havia estava empreguinado em mim. Misturado ao meu. Era uma sinestesia de momentos e emoções sensuais. Quando voltamos a nos olhar, colamos testa a testa. Respirávamos desesperamente tentando puxar o máximo de ar de um do outro. Mais levemente dávamos beijos carinhosos entre nós dois. Não conseguíamos parar. Tínhamos as mãos entrelaçadas e ele parecia cansado ao sustentar meu peso. Nos olhamos. Eu nunca me arrependi. É... Eu finalmente havia perdido a minha cabeça.

domingo, 7 de junho de 2009

Cinzas.

Já teve um dia péssimo? Claro que sim. É de bom trato que os fortes tenham más situações de vez em quando, pois assim podem progredir. E quem são os fortes? Ah, todos nós. O que muda é a intensidade. Mas voltemos a falar da minha insatisfação. Que vida chata, sem graça. Onde tudo se repete. Onde não consigo o que quero. As pessoas são as mesmas e convenhamos, são deveras cansativas. O dia estava chuvoso. E que delícia. Coloquei meu casaco genial. A lanchonete ficava próxima a minha casa. Nada para fazer. Aula no dia seguinte. Essa droga de vestibular que me deprime. Ai, como sofro. É muito difícil ser eu. Escutei aquela música melancólica para contribuir com o meu drama. Adoro me fazer de díficil. Gosto de passar por situaçãoes dificéis, mostrar o quanto eu sou forte por estar vivo. Adoro ficar com aquela cara de cu quando as pessoas a minha volta se divertem enquanto elas só estão tentando esquecer os seus problemas, porque na verdade, a vida delas pode estar sendo tão medíocre quanto a minha. Só que elas agem diferente de mim. Se esquecem delas por um momento. Igualmente a bebida. E do que adianta? Enganar a vida? Ela é mais esperta que você. Ela vai te pegar. Passei o primeiro quarteirão. Chuva. Ai mas que vida entediante. Em algum final de semana resolvemos passar da infância para a adolescência. Antes a moda era ir no shopping, agora é beber. Antes era beber uma dose de vodka, agora são cinco copos. O golpe de maioridade chega e passamos e ir para as boates. O pop enjoa, são sempre as mesmas músicas. Vamos para a eletrônica. Enjoou, é sempre a mesma batida. São sempre as mesmas situações disfarçadas. Ninguem se contenta com nada. Era a mesma sexta feira. Eu tinha voltado do colégio. Tinha me lotado de estudar, estava cansado da mesma forma, era a mesma droga de chuva. Entrei na segunda rua. Chuva. A vida era engraçada. As pessoas hipócritas. As mais hipócritas, os seus amigos. Sim, eles te amam. Mas eles te enxergam fazendo merda e logo depois fazem a mesma coisa. Ou dão conselhos, que semana que vem, não cumprem para eles mesmos. Quando é você que aconselha, você recebeu um tipo: É, eu sei. E semana que vem, você descobre que ele não te ouviu, e que não sabia nada. Vento. Amanha seria um novo dia. O tempo passa rápido. Caminhamos para a morte. Logo amanhaceria. Eu cheguei à lanchonete. O meu desejo era ficar ali mesmo sentado, esperando o meu pedido e vendo um casal se lambusando todo com o milk shake. O meu amigo chegou. Todo molhado, todo engraçado como sempre. A gente conversou. A mesma coisa de sempre. Aquele lero lero, que as pessoas fingem estar preocupadas, mas que na verdade, só estão perguntando por conveniência, porque na verdade, elas não podem te ajudar, porque não estão na sua pele. Algo do tipo: E aí, tudo bem?
Mas meu humor mudou. A gente começou a rir. As situações estavam engraçadas. Meu pedido chegou. Talvez aquele dia tivesse sido o pior dia da minha vida, porque tudo aconteceu de ruim, mas não vale a pena mencionar aqui. Mas naquela noite chuvosa, eu não tava nem aí para a vida. Alías, pensando melhor. Estar, eu até estava. Eu só não estava com saco para entendê-la. Nem adiantaria. Eu só precisava da minha banana split.

Esse texto não tem nada a haver comigo. Minha vida não é assim. Eu só criei argumentos e resolvi escrever sobre o que pensei. Nem tudo o que eu escrevo, eu acredito. Sou muito feliz!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Confissões.

Seria eu tão ousada? Ah que nada! Tem aqueles que adoram me chamar de ninfomaníaca. Que bobagem. As pessoas falam demais sobre mim. Por que não me deixam viver? Por que será que a reputação vale tanto? Tá, tudo bem que eu nunca me apaixonei. Mas para que a pressa? Vivemos o presente. Tudo bem, que tenho minha fama de puta por aí. Mas por que recuar-me se posso fazer aquilo que desejo? Porque nós vivemos em uma sociedade a qual, blá blá blá. Mimimi. Isso tá muito lá para Rabim. Eu não era assim. Eu fazia o que queria. Lógico que tinha meus limites. Limites impostos pela lei. Odeio política...
Bom, mas quantos olhares! Quando cheguei na sala de aula ninguém parecia querer falar comigo. Garotas muito metidas me olharam com desprezo. Os homens com aquele desejo. Me senti importante. Mas que inveja animada. A vida para mim tinha muitas responsabilidades. Mas as pessoas são frívolas comigo o tempo todo, por que eu iria querer esperar a eternidade por um amor? Minha juventude já teria ido embora. E minha beleza? Só a tenho por pouco tempo. É bom aproveitar, aquilo que tenho não é mesmo? Afinal, transar com as pessoas e jogá-las fora é bem divertido. Elas não iriam querer algo comigo seriamente, no final, mesmo... Os homens só querem diversão. Não estou generalizando a situação. Quando eu achar uma exceção, vou investir. Mas enquanto não.. Hm... Enquanto não...
Minha saia era curta, mas eu tava afim de usá-la. Minha meia calça era linda. Primeiro dia de aula é importante. Eu adoro os homens, seria um desperdício eu passar desbercebida. Todos de certa forma, gostam de aparecer. Gostam de sentir que foram notados. Menos os antissociais. Essa merda de hífen não pode ser mais usado. Antissocial com dois 's' fica muito estranho. De longe, vi. Que garoto lindo. Odiava loiros. Portanto, tinha cabelo liso preto e pele branca. Corado de sol. Muito musculoso. Mas ele era diferente. Algo nele fazia meu corpo ferver. Sentei na cadeira, e senti que estava quente. Fechei mais as pernas me sentindo vibrar. O seu olhar de desprezo. Era parecido com o meu. Parecia ser safado. Minhas pernas estavam bambas. Minha respirção ofegante. Parecia querer fazer o que der, e depois me deixar de lado. Quem disse que a aula de matématica estava interessante? Pouco me importo para as funções. Foda-se. Me levantei. Usei minha arma principal. Meu olhar. Ele retribuiu. E com a cabeça fiz um gesto, pedindo para que ele saísse da sala. Mas discretamente é óbvio. Ele entendeu. Por lei de uma legislação qualquer o banheiro era dividido. Homens para cá, mulheres para lá. Sempre quis matar quem decidiu dividir o banheiro. Era perder diversão. Vi ele subindo as escadas. Queria o banheiro feminino. Se eu entrasse no masculino, iam interferir nos meus afazares em relação a ele. Me bateu uma reflexão. Porque eu era tão sexual assim? Porque não poderia esperar por uma pessoa especial? Dar para o primeiro da fila me tornava tão lixo, tçao suja, tão comum, tão fácil? Me tornava. Eu era tão puta, tão dada? Sim. Hm, pensei um pouquinho. E juro que me esforcei. Assim que ele subiu, me deu vontade de falar o quanto eu queria algo sério com ele. O quanto eu queria que aquilo fosse especial. Senti uma loucura de mudar. De ter alguém só para mim. De me tornar alguém com sentimentos. Ele se aproximava. Mas que loucura. E voltei a realidade. Ei, nada disso. Não fode. Na hora de falar, apenas cochichei em seu ouvido:

-E aí, você quer dar uma rapidinha?

Para aquelas horas em que o desejo fala mais alto que a razão.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Voz Passiva.

Voz Passiva alienada
Seja firme e esforçada
Avança, corra atrás
Persista, seja sagaz

Voz Passiva, tão ingênua
Se autoconheça, não tenha medo
E mesmo de malícia tão pequena
Faça o seu próprio enredo

E lute pelo que te diz respeito
Mesmo com paciência indefinida
Abraça tua alma, com teu jeito
Arrisque pela tangente a sua vida!

Voz Passiva que não vê
Com seu futuro estagnado
Muito falso e castigado
Não dotada de prazer

Voz Passiva, nome sujo
Já não te param mais de zurzir
Caridosa e por isso, sofre abuso
Deixando a tristeza lhe perseguir

Voz Passiva, toma jeito!
Respira fundo, estufa o peito!
E por mais subordinada que assim seja
Não espere, confie: Apareça!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Momento.

Quando eu o vi, estava envolto de arvores. A natureza estava muito presente. Num clima fresco de bom agrado. De ótimo gosto àqueles que o presenciavam. Nunca se sabe de quem a gente gosta. Alguns apreciam o que é mais externo, outros até mesmo o interno. Quando alguns são verdadeiros, decifra-se o interno, pelo externo. Mas as pessoas criam cascas. Mas ele não. Parecia estar sendo sincero a medida que observava as coisas ao seu redor. Tão pensativo. Ele podia ser o que quisesse naquele momento. Não tinha ninguém perto dele. E aos poucos, assim como se faz um livro, comecei a escrever cada página e pensar no que eu estava vendo. Sim, o interno, queria saber até onde podia chegar. Mas eu não o conhecia. Não sabia o que ele estava fazendo naquele exato momento. Uma blusa branca larga com o símbolo de algum colégio qualquer. Um casaco preso na cintura e uma calça jeans. O conjunto tornava-o bem bonito. O olhar dele era diferente de todos os quais, eu já vi. Ao tentar compreende-lo, perdia-me nas respostas. Parece feliz, porém marcado por coisas na vida, a qual teve que suportar. Mas mesmo assim, volta e meia, quando os pássaros desciam de suas arvores, para procurar algo ao chão, ele abria um alto sorriso. Que expressão calma. Paz. Eu não sabia o que alguém fazia naquele jardim bonito as quatro horas da tarde. Principalmente um jovem solitário. Ele parou de frente a fonte, para olha-lá. Chegou até a se abaixar. Peixes se encontravam no rio. A sua beleza, forma de andar, agir e reagir com as coisas ao seu redor, me fez gostar do que eu vi. Acompanhei cada passo do garoto, mas ele nem ao menos percebeu. Estava distraído, parecia querer ter aquele momento só para ele. Afinal, eu repito. Ainda não sei o porquê dele estar tão sozinho. Mas parecia muito feliz em apreciar simples coisas da natureza. Parecia satisfeito e contente em curtir cada momento só dele. Sentei-me. Olhei para o céu e desviei o olhar por um instante. Acendi um cigarro. Que sensação maravilhosa. Momentânea. O tempo estava nublado. Meu preferido. Traguei algumas vezes, mas antes de eu acabar com minha ação, o vento proibiu-me e passou, apagando o que eu colocava para dentro. O vento passou por mim... O rapaz agora andava pelo caminho de terra e eu percebi que escutava algum tipo de música pelo fone do ouvido. Fiquei curioso e tentei adivinhar a música que ele estaria ouvindo. Mas algo me chamou a atenção. E vi a coisa mais bonita que já vi em toda a minha vida. Palavras me faltam. Parece ter sido combinado, pois num ato rítmico com o vento, o menino abriu os braços, mas bem lentamente. Mas que expressão serena. Me lembrou algo angelical. Mexeu as mãos, parecendo que estava sentindo o vento, sem deixar perder um momento sequer. Era impressionante. Parecia brilhar por algo tão simples. Que valor parecia entregar nas mãos do vento. Continuou a andar, com o casaco preso sendo levado pelas ondas de ar. O cabelo, parte atrás mais curta que a da frente, parecia dançar na mesma direção e sentido. Tinha um grande sorriso no rosto, o que mostrava o quão feliz estava, feliz por estar vivo. Foi nessa hora que eu me apaixonei. As folhas das arvores lentamente o acompanharam e caíram lado a lado.Ele abriu os olhos. Tinha olhos levemente puxados. Mas não me viu. É que ele não podia me ver...

sábado, 2 de maio de 2009

Amor platônico.

Exatamente as quatro da tarde daquele dia, o encontro estava marcado. Guilherme estava quase pronto. Tinha acabado de voltar do exército, por isso possuía o uniforme vestido. Se olhou no espelho e viu suas olheras cansadas, mas nada o desanimou. Entrou no banho e logo já catava roupas no ármario para escolher e assim não se atrasar. Muito vaidoso. Ficou muito tempo tentando ajeitar o penteado, escolheu uma das suas melhores camisas. Colocou uma calça que combinou devidamente e os seus sapatos eram muito bonitos. Nem acreditava que finalmente tinha encontrado a pessoa a qual achava ser o amor de sua vida. Para falar a verdade, isso é muito relativo. Porque conhecer realmente, ele ainda não conhecia. Era possível amar alguém que é desconhecido? Para ele, o amor não tinha limites. E lá estaria ela, em um restaurante muito bonito próximo a casa do rapaz. Devia estar muito bonita. Embora os dois tivessem se falado muito através da internet, nunca tinham revelado suas fotos. Nem o nome ou a idade. A mulher que ele se apaixonara se tratava de uma desconhecida. Mas não uma total desconhecida. Nas diversas conversas em que tiveram, os dois não debateram sobre aparência física, e sim sobre formas de pensar. Também sobre coisas as quais os dois tinham em comum... Contaram histórias sobre a vida, experiências que tiveram, reações e ações feitas, entre outros assuntos. Ela tinha uma filosofia de vida muito diferente. Achava que a aparência exterior não importava. Nada o que regia a matéria era importante para ela, o essencial era a matéria composta de sonhos. Ou seja, o abstrato que rege dentro de cada um. No começo Guilherme ficou muito desmotivado, mas a mulher que iria conhecer, tinha formas de pensar tão incríveis, ela era tão carinhosa, madura e surpreendente, que ele se apaixonou por cada detalhe que assim dizia ser ela. Mas e se não fosse? Ele queria descobrir se aquilo era realmente de verdade. Ele teve muito medo. Medo de que o jeito dela não o agradasse. Medo que a sua aparência fosse grotesca demais. Tudo bem que ele não era a pessoa mais bonita do mundo. Mas sempre tinha mulheres aos seus pés. Um corpo maravilhoso. E era uma pessoa muito esforçada e estudiosa. Queria ser médico. Juntava dinheiro, para tentar fazer algum tipo de curso e assim passar no vestibular. Esse amor platônico estava muito sem graça. Perdido, então, durante um mês nos pensamentos de uma desconhecida, que poderia existir ou não, o rapaz já se aproximava do tal restaurante. Estava muito nervoso. Tinha colocado muito perfume e parado em cinco carros, para se olhar no espelho do retrovisor. Ele estava impecável. No caminho, muitas pessoas o notaram. Guilherme era o sonho de qualquer mulher. O restaurante estava muito cheio. Muitas pessoas saíam e entravam. A porta estava lotada. Ele se encontrava em uma rua de Ipanema muito movimentada. Tinha muitos restaurantes, bares e pessoas. Mesmo assim, é claro que ele não iria desistir de achá-la:
"Estarei com um arranjo de flores apoiado em cima de uma das orelhas" - Ele lembrou. Ele tinha marcado de vir com uma blusa muito destacada. Era listrada, preto e branco. A calça era preta. Era difícil de confundir. E na porta do restaurante lotado, tentou localizá-la. Já estava atrasado dez minutos, então com certeza ela já tinha chegado. Sentiu certo ressentimento por estar atrasado e foi pessimista algumas vezes na hora de pensar, deduzindo que a mulher já poderia ter ido embora. Mas não. Era só pensar positivo que tudo ia dar certo. E então, a rua toda parecia ter parado. Todas as pessoas bêbadas felizes, fúteis, supérfolas e frívolas pareciam ter se calado. Os casais apaixonados não mais o chamavam a atenção. Quando ele avistou a mulher. A rua parecia estar vazia e nada mais importava. Era como se os dois estivessem sozinhos. E notou a aparência da mulher. Velha, parecia perto dos cinquenta. Vestia uma roupa meio fora da moda. E o batom no seu rosto estava borrado. Parecia muito cansada, parecia estar voltando de um dia duro de trabalho. Talvez ela até trabalhasse por aqui perto. Porque parecia ofegante. Devia ter se atrasado, ou esquecido e então resolver vir correndo. Mas a mulher não o tinha visto. Ela procurava por alguém e Guilherme sabia que era por ele. Será que ela tinha escolhido esse local cheio, de propósito? Então ele apenas sorriu. Seus dentes brancos ficaram a mostra. E que sorriso lindo. Acenou. Chamou tanto a atenção, que a mulher notou a sua presença. Não sabia o nome dela. O código era simples. Quando eles se encontrassem, bastaria o rapaz falar o seu nome. Afinal, a mulher já sabia qual era. Ele se aproximou da senhora e falou:
-É você? Sou eu Guilherme. - a mulher de aparência velha o respondeu:
-Ah, finalmente achei você. Olha só, meu querido. Uma mulher me pediu um grande favor. Para que eu procurasse um rapaz com uma camisa com listras decoradas inconfundíveis. Me deu de presente esse arranjo caro de flores, para eu ficar bonita. Disse que é a última moda em Paris. O que achou? - perguntou. - E Guilherme tinha um ponto de interrogação na cabeça. A mulher prosseguiu:
-Ah me desculpa, eu falo demais. Ela disse que se o senhor viesse falar comigo era pra eu te passar a seguinte informação. Ela te espera dentro do restaurante, ali na varanda, no reservado. - a senhora apontou. Guilherme se virou e viu a mulher. Cabelos loiros lisos lindos e brilhantes. Um batom vermelho, com um lindo vestido. Estava lendo uma revista. Forçou a visão. Rosto muito bonito e moldado, parecia ser jovem. Da mesma idade que ele. Ele beijou a senhora no rosto, que não entendeu a situação e entrou no restaurante, na área reservada, praticamenteo saltitando. Foi recebido por um grande abraço. O melhor de todos os abraços. A sensação foi indescrítivel.


A beleza exterior é anulada, quando interior está estagnada.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Escalada.

Imagine uma reta. Sim, ela é bem longa mesmo. O final, você não consegue ver qual é e o ínicio... Ah, o ínicio! Digamos que ele esteja bem longe da onde você se encontra, que nem ao menos se lembra qual é. Você até o conheceu, mas é uma vaga lembrança cuja, presença, assim como o atrito, em muitos casos, é desprezível. Quanto se tem um objetivo travado, o desejo é de completá-lo. Mas realmente você pensou que fosse fácil? Nesse caminho grotesco, tudo de ruim irá acontecer, para que você desvie do desejo que possui de chegar até o final. Cabe a todos que nela se encontram perdidos ou não, cursá-la, sem desviar do trajeto. Falando sobre a reta... Uma reta nunca é totalmente reta. Já usou uma lupa? Não me responda, enquanto eu escrevo. Deixe-me continuar... Voltando, sim, pois bem. Ela tem para lá os seus defeitos. Uns lugares elevados aqui, outros mais baixos. Então não é fácil, também se fosse, não teria graça nenhuma. Você tem direito de parar, mas lembre-se de que o tempo passa e ao perdê-lo, assim como uma chance disperdiçada, uma volta impossível. Tudo o que passa nessa reta rege a você. Por isso, a chave para o sucesso, ou chegada, não é pensar em chegar no final, e em como vai chegar. Simplesmente você vai estar lá quando menos perceber. A preocupação da velocidade, proporção, meios te desfoca. O real importante é assim a escalada. É o seu trajeto. Afinal de contas, quando você chegar até o final, tudo já terá acabado não é mesmo? Como cada coisinha que você no seu dia-a-dia pretende fazer, se concentre no caminho percorrido e é claro em como começar. Sem o primeiro passo, os próximos tomados não apresentam alto valor construtivo. Para falar a verdade, nenhum. Dar o devido valor para aquilo o qual pertencemos e vivemos. Isso parece simples. Eu sempre digo para prestarmos atenção naquilo que nos passa. Nem tudo conseguimos captar. Alías, quase nada. Pegamos o pouco que nos convém. Ao contrário de você que vive retrucando o que eu falo, deveria me escutar dessa vez, pois quem segue a sua vida é apenas você:
Eu sei! Eu sei disso.
Sabe é o caralho! Finge que sabe e se engana depois. Engane a todos, mas verás que no fim do labirinto não há saída nenhuma. Só o seu lerdo reflexo, passado e estagnado. A si próprio você não terá forças para se confundir. Você fala demais e fazer? Não ligue para os danos. É importante se machucar. Nem tema o díficil. Trajetos sozinho, acompanhado, com luz, sem luz. Tudo tem um propósito:

Linha do tempo! Ô... Linha do tempo. Passado, presente e futuro. Sumam!
Apenas continue seguindo, quem sabe o horizonte não te dê um belo sorriso?
Ps: se ele sorrir(seu idiota), não deixe passar, é claro.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Percepção.

Quando eu cheguei na sala de aula, lógico já estava lotada. Abri a porta e todos olharam para mim, todo descabelado e ofegante. O monitor disse em tom antipático:
-A sala já está lotada. Eu mandei uma do tipo: É, percebe-se. Subi para o andar de cima. Os ecos dos meus passos pelas curtas escadas se manifestavam dedurando a minha presença, quando eu abri a porta e vi que na sala encontrada havia poucas pessoas. Seria melhor para a realização do meu teste, porque eu iria me concentrar de uma forma melhor. Larguei a mochila na cadeira ao lado. Realmente, posso dizer que não foi um dos meus melhores testes. Eu já estava na ultima parte que era a parte da interpretação de textos. O Rabim é muito chato, pensei. Enquanto tinha dificuldades para fazer meus exercícios. E li uma frase que fazia a seguinte afirmação: Negar um fato é afirmá-lo inconscientemente. Eu dei uma risada e falei alto: Hahaha, tá bom. Os dez alunos presentes na sala me fitaram pensando que eu era maluco, mas respirei e voltei a fazer as questões. Mas que coisa engraçada a vida é. Aquela frase falava muito do orgulho que eu tinha com as pessoas. Eu tentei interpretá-la, mas aos poucos eu chegava a conclusão de que eu não podia concordar com ela. Afinal, quando eu negava minhas atitudes, eu estava sendo sincero. Mas inconscientemente... O que poderia ser? Aquilo ficou na minha cabeça. Parecia coisa de filme. Até porque quando eu saí na rua já estava de noite. Vi a hora e sabia que eu estava atrasado. Corri até a padaria, para comprar um mate com limão, quando uma senhora perguntou se podia passar a minha frente, na fila. Eu atrasado, respirei fundo novamente e disse: Pode passar. Eu não me importo. - e sorri. É, notei cinco segundos para perceber de que eu acabara de negar um fato. Mais cinco para perceber que na verdade eu me importava com aquilo, mas que fiz ''um sacrifício'' por vontade, educação ou sei lá o que foi, para deixá-la passar. Ainda pensei: Ah, foi por educação. Não custava nada deixar a senhora passar. Ah é mesmo, eu estava atrasado. No meio do caminho o celular toca:

-Oi, Rafa, sou eu a Sarah. Estou ligando para dizer que eu to aqui com a Julia fazendo uma pré night. Vou atrasar para ir no empório. Você vai como? - cara do Rafael: ¬.¬

-Ahh.. - esse 'ahh' broxante meu, diz tudo.

Mas não tinha problema, afinal eu já tinha marcado com a Alice de ir de carro. Expliquei a situação à Sarah. Além do mais, marcar de ir com eles,não seria boa idéia. Todos bêbados menos eu. Que sem graça! E todos já deveriam estar bêbados. Eu não fui convidado para a social. Aquilo de certa forma me encomodou. Não numa alta intensidade, mas deixei passar e falei:

-Bom, depois a gente se fala, meu amor.

-Eita, não precisa ficar chateado. - a Sarah percebe tudo.

-Não estou. - desliguei o telefone. É... A vida é irônica. Me mostrando cada experiência por uma frase. Que engraçadinha. Fui descendo a voluntários. Pensando na frase. Quando parei no ponto de ônibus e fui cutucado. Era o Matteo. Me virei e recebi um grande abraço. Me disse que estava indo para casa. Mas nem tinha perguntado o que ele estava fazendo ali. A vida estava brincando comigo. Por que então não brincar com a vida? Antes do menino subir no ônibus e me dar um beijo de despedida, ele me disse:

-Saudades suas... - ele disse.
Eu vomitei palavras nessa hora. Não deu tempo nem de pensar no que falar. Ele antes de ir embora precisava me dizer aquilo? Mas que coisa sem nexo. Falei rapidamente a primeira coisa que veio na minha mente, junto com o meu orgulho imaturo.
-Que pena, eu não senti. Ele fez uma cara de cu e perguntou:
-Sério?
-Esquece Matteo. Seu ônibus, chegou. - Pisquei o olho e me virei.

A medida que eu fui andando pela calçada, coloquei a mão no peito. Inconscientemente. Essa palavra veio me visitar. Até aquele momento eu não tinha notado a dor que eu tinha sentido por ter tido ele fora da minha vida, durante todo esse tempo. Mesmo que eu não quisesse senti-la, ela estava presente no meu coração.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Dá um tempo!

Quando me sentei na mesa e olhei para a minha apostila notei algo muito importante. Numa conversa anterior que tive com uma pessoa, ela havia me dito, coisas que entrevoaram minhas opções de reflexão. Mas de alguma forma o que tinha vindo, não tinha ido e batia de volta, fazendo muitos ecos sem identificação de sons dentro da minha caixa vazia. Era algo a respeito do desejo de querer que a vida passasse mais rápido. Lembro de ter tido uma resposta Exata, parecida com aquela equação do segundo grau que eu tinha resolvido na minha aula de matématica. Respondi calculadamente. Exatamente quando queremos acertar um corte preciso com uma espada: acho melhor, que você não queira que o tempo passe, pois ele vai passar de qualquer modo. Quando tiver setenta anos irá lembrar que em algum momento que já quis que a sua vida acelerasse e ela já vai ter passado tão rápido que você nem terá percebido.

O ruim das pessoas é que elas não aprendem a conviver com o tédio. Volta e meia nas férias eu escutava: já estou cansado disso, não tem nada para fazer. Quando as aulas voltam escuto: ai que tédio de rotina. Adoro as pessoas, porque adoro acompanhar a mente complexada das mesmas, a medida que o tempo passa. É tão divertido, ver as pessoas sendo hipócritas, voltando a fazer coisas, que antes não faziam, ao reclamar. Como um acelerado retrógado. O bom de acompanhar as pessoas, é que você aprende. SE acompanhar é uma tarefa muito difícil, e observar as pessoas é dom recebido. Assim, com o tempo você aprende a medir o que você faz. Em certo sentido, guardamos muitas coisas em nossas mentes e calcular friamente o que fazemos, de acordo com nosso conceitos, nem sempre sai da maneira certa. Então as vezes, agimos por puro sentimeno, em contraverso a razão. Na verdade, temos esses espamos porque nunca estamos satisfeitos com nada. E que bom. Bom que lutamos para irmos para frente. Chega de usar a primeira pessoa do plural. Do que eu estava falando? Ah sim, do tempo.

Na vida, não podemos dizer qual fase é a melhor. Qual tempo é o melhor. Simplesmente porque a fase não pode ser medida, ou limitada. Tão pouco o tempo, cuja abstração maior, ultrapassa práticas. E mesmo que fosse, a melhor forma é saber aproveitar. Usufruir de cada momento é praticamente impossível porque muitos saem-se despercebidos. É impossível dizer qual tempo da vida é melhor. Porque teriámos, além de vivenciar todos, após vivenciar-los lembrar dos atos feitos e sentidos. Lembrar qual que foi melhor. Seria possível? Em cada fase da sua vida, se você souber vivenciá-la, desde da consciencia obtida, até a perdida, ou seja, desde a infância até a velhice, será dificil interpretar qual se sairia melhor. Simplesmente porque a vida muda, a vida é sua, e a vida é sempre a melhor. Só depende de você. Mesmo que se lembre, sentir na carne não mais. Apenas pensamentos e lembranças. Complexo não é? Exatamente como você. Na vida, cada pedacinho, cada momento é importante. Quem sabe se as palavras de um alguém não me fizessem pensar, eu não estaria aqui digitando tal texto e me atrasando para dormir? Se tudo tem um próposito, se tudo o que vem depois, acontece porque o dvd resolveu anteceder fatos, porque querer que tudo passe rápido? Você quer que a festa do sábado chegue logo né? Ou que o seu aniversário chegue para que você possa comemorá-lo. O dia chega e tão preocupado em vivencia-lo, idealiza da forma mais cruel. Um fio do seu cabelo está do lado errado e você chora porque queria tudo perfeito. Moral da história. Moral, que palavra legal. Vou tentar usá-la mais vezes no meu cotidiano. Moral da história. Você esquece de viver a sua vida por um dia do seu futuro. Um ponto negativo para você. E ainda chega no dia e o dia não sai perfeito. Epa, pera, se bem sei contar. DOIS PONTOS NEGATIVOS PARA VOCÊ. Claro, bundão. (Bundão, hein, mandei, vai.) Na boa, perfeição, tirando eu mesmo, não existe. Haha, sacanagem.

Enfim, minha gente. Não viva o futuro, talvez ele nem chegue mesmo. Não fique preocupado com a passagem do tempo. Você sabe matématica? Eu sou péssimo, ontem mesmo quando fui estudar... Tá, parei, deixa eu continuar. Falando em Math (eu também adoro inglês), existem cinco dias na semana. Cinco. Cinco, incrível não? Cinco incrivelmente também é maior que dois. E AÍ GOSTOU? Só porque são dias de semana, com estudos, trabalho, mimimi, se você não prestar atenção do que se passa nesses dias, você vai perder muita coisa. Até porque final de semana, são só dois dias. Domingo, não conta mesmo! Domingo é de DEUUUSSS!

Quando o tempo passa, o que você faz? Nada. Resigna-se. Não há o que fazer. Essa coisa de presente não existe né? Você que conjuga verbo no presente, vai parar de usá-lo, porque tudo vira passado. Desmascarei o português. O presente do indicativo não existe! Tá, amiguinho, mas não vai chegar amanhã no col (adoro gírias) e falar pra professora, que o Rafael disse que o presente não existe, porque vão me culpar depois. Vão me prender, dizendo que eu sou louco. O que eu quis dizer, Zé Mané, é que tudo o que se refere ao presente é muito relativo. Ele existe de certa forma, mas é muito efêmero. Apenas existe, para facilitar as coisas, porque na complexidade não existe mesmo. Porque a palavra 'mesmo' que eu escrevi na frase anterior, virou passado, um milésimo depois que eu escrevi a sua ultima sílaba. E essa frase também. UI. E esse ui também. Ai que brincadeira legal. Estamos num conflito entre passado e o futuro. Ok, próximo tópico.

Tem algumas pessoas que falam assim *enche a bochecha de ar*: Ei. EIIIIII! Viva o presente. CARPP DIEM. Não sabe nem o que que é! (HAUHAUAHUAHA)
Tá, vou defender o presente. É que investir no futuro é incerto, o passado não pode ser consertado. PORRA RAFAEL, TÁ FODA. JO TO MATEOO (espere um pouco, em japones). Então investimos no que está acontecendo. Investimos em nós mesmos. Nossas ações, farão nosso futuro, passado e presente. Medi-las é muito importante. Por isso, não saia falando por aí, que o tédio é ruim e coisas sem sentido, tipo a Marcela é hétero. Coisas do gênero.

Enfim, matemática estava para começar, quando abri minha apostila e escrevi as seguintes frases:

>Sobre o tempo. Me perguntaram sobre o tempo. Mas que posso dizer? Se do tempo pro tempo quem faz é você. Do tempo, ao tempo, sempre se vem, se dá, se perde, você sempre tem. Dê ao tempo, que o tempo terá. Da voz, ao ato do pensamento. Passado, futuro e momento. Ai, tempo passado, que não se repetirá, me salve do futuro que não posso pensar. Ser, ficar, viver, estar.<

O tempo é algo que não se deve desperdiçar. Hihi.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Suspiro.

Tinha a famosa blusa social vestida. Tudo escuro. Me levantei vagarosamente e vi todo o meu material de estudos espalhados, desde livros pelo chão e folhas amontoadas, desde apostilas e cadernos. Contornei alguns, e fui até o banheiro. Abri a torneira e me abaixei, aproximando meu rosto da água que escorria, lavei a nuca. Senti um frio na barriga. Suspirei baixinho. Me olhei no espelho, mesma aparência, cabelo jogado para o lado. Nada de novo e ao desligar a luz, bebi um copo de água rapidamente. Peguei no celular, nenhuma ligação retornada. Nenhuma, mas não me assustou. O fato das pessoas não estarem presentes da forma que eu preciso, já é normal de ocorrer. Afinal, todos nós temos problemas, por mais que as ligações fossem também do dia anterior. Joguei o celular no sofá. Já estava muito tempo fechado. Muito tempo parado, pensando no que podia acontecer, ai que nostalgia futura. Odiava isso. Estava tudo em preto em branco. Eu estava dando voltas e sempre retornando ao mesmo lugar, pensando em certa pessoa, em certos projetos, atrasando o que deveria ser feito, morrendo de ansiedade e fazem mal a mim mesmo. Não era novidade nenhuma. Era sempre a mesma coisa. A água que eu joguei em meu rosto não me renovou. Eu era o problema. Resposta nenhuma eu poderia obter. Mas queria ouvir. Peguei o celular ligado e digitei o número no teclado. A doce voz me atendeu. Tão compreensiva, tentando me acolher, mesmo não podendo. Estava toda enrolada com o pai. Para não preocupá-la, menti que estava na academia perto de treinar. Na verdade, tinha passado meu dia todo praticamente trancado no meu quarto. Cortina fechada. Por mais que eu sumice, as pessoas não davam a mínima. Mas eu estava feliz, por incrível que pareça, não senti falta disso. Esse dia afastado do mundo, foi-me importante. Não digo por orgulho não. Aos poucos eu me contentava com a minha companhia. Ela me deu conselhos rápidos, disse palavras que pareciam ser para mim e teve que desligar, mas sua preocupação ficou na minha cabeça. Por destino ou não, sempre estávamos interligados. Sem acender a luz, tudo se tornou colorido. Eu estaria nas nuvens? Bom, só sei que saltitei muito e parecia voar, quando encontrei meu quarto. Ao me deitar, eu sonhei com a Marcela. Tudo era feliz, não havia nenhum problema, tudo era brilhante. O sol nunca ia se pôr, o amor era a força resultante. Nós dançávamos juntos. O seu sorriso, ai o seu sorriso. Suspirei em sono profundo. Meu sorriso permaneceu. E quando eu abri os olhos, quinze minutos depois, a Marcela parecia estar no meu quarto, olhando para mim, cuidando de mim. Ela ficou me olhando dormir, até o sol nascer. E eu fingi que dormia, para observá-la também.

sábado, 21 de março de 2009

De lá pra cá, não sei.

Levantei. Olhei para a janela. Maravilhosa chuva. Incolorida. E me deu vontade de sair pela rua, para apreciá-la. Seria muito bom, deixar as águas levarem o que eu estava sentindo. Mas me segurei. Voltei a me deitar. Vestia uma blusa social branca, da noite passada, suas mangas compridas maiores que o comprimento do meu braço, me deixavam distante do frio. Escutei o barulho que as gotículas de chuva faziam no canto do vidro direito da minha janela. Estava aberta. Levantei-me. Encarei uma senhora que estava em um quintal, às 5 da manhã, juntando as suas roupas para que estas não fossem molhadas pela chuva. O sol parou de se exibir. Andei pela casa e fui até a cozinha beber um copo de água, foi tão renovador que eu me senti rejuvenescido. Olhei da janela da sala, a chuva engrossar. Ela engrossou, mas retornou a respingar lentamente, alguns segundos depois. Pensei em descer os degraus do meu simples prédio, para poder observá-la mais de perto. O pensamento foi levado embora com o vento, ele passou como uma melodia em meus cabelos, dando voltas em meu rosto e indo de encontro ao meu sorriso, me dando de presente uma brisa de despedida. Apoiei meu cotovelo na lateral da janela. Alguns pequenos pássaros lutavam para construir um ninho para se esconder do meu fenômeno predileto. Olhei as nuvens e como o vento as mexia de lá para cá. As arvores pareciam estar animadas. De um lado tangencial é fácil de ver riscos de chuva sem saber onde irão cair. Me virei, pensei em ir dormir. Bobagem. Então olhei para a janela novamente. Coloquei a mão para fora e senti o líquido escorrer pelas minhas mãos. Parecia escapar de mim. Concretizar em minhas mãos era complicado, seu estado líquido fazia-o deslizar. Ele escorreu até cair do terceiro andar do prédio em que eu me encontrava. Comecei a pensar. Na vida. No que eu sou. No controverso do que eu sou. O que eu queria. O que eu não queria. E via que tudo se misturava. De lá pra cá não sei. Não tinha resposta exata para cada questão. Fui até a porta. Abri-lhe. Mas eu estava descalço. Se eu descesse, não seria plausível. Fechei a porta. A chuva ficou rarefeita de novo. Chuviscos aqui e ali, batendo no telhado fazendo um som tão bom de se ouvir. Olhei de longe, de rabo de olho, com uma postura ereta. Suspirei. Minha mão continuava esticada para a maçaneta. Mas não ousei em abri-la de novo. Mexi nos cabelos ao me espreguiçar e recuei. A chuva mudou de forma. Agora alfinetes de largura extremamente finos e em muitas quantidades pareciam cair do céu. Não conseguia ver sequer um rastro sem água no ar. Cada gotícula parecia ocupar seu devido lugar no espaço. Colocar a mão para fora da janela seria molhá-la totalmente e instantaneamente. Não havia espaço, o ar estava lotado. Todas pareciam competir para ver quem chegava primeiro no chão. Agora eu vou - pensei. Mas ao olhar para o lado direito, vi uma mulher correndo desesperadamente para entrar em casa, devida a cachoeira que parecia cair dos céus. Saí da sala, para o quarto. Que cor de madrugada penetrante. Meio acinzentada azulada. O sol tinha se esquecido de nascer. Eram cores frias, minhas prediletas. Antes de me deitar, olhei o céu novamente, fez-me refletir. Em como a chuva se parece comigo, sem saber para onde ir, sem saber onde quer chegar. Sem saber que decisão tomar. Às vezes ela mudava de forma, escolhia o que queria e retornava. Bipolar. E assim percebi, nada mais nada menos, que a chuva representava a minha devida inconstância que eu escondia em meus céus, sem mostrar para ninguém. E ninguém sabe que eu desci para me molhar. Senti na pele toda aquela vibração de estar vivo. Simplesmente pela alegria de seguir minha loucura-vontade sentida.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Rascunho resumido.

' Ui, quanto do amor tenho para falar. Primeiramente, posso afirmar com eterna ternura que do amor, não podemos reclamar. Quem duvida do amor, eu digo sem hesitar que ele nunca pôde ter sido sentido por tal pessoa. Porém, comprovar seria um ato difícil. Podemos fazer suposições, afinal falar do amor propriamente dito, ah sim, quantas são as hipóteses, pois é dotado de tanta abstração que de nada és firme. Do 'eu te amo - bom dia' nós ignoraremos os tolos corações. Os falsos, assim não sabemos quem são, e não faz sentido procurar explicações. Para cada mentira, há descobertas, pois por mais amarga que seja, a bela ruptura te salva de ser mais enganado. O amor não é perfeito, como aquela bela flor que pode nascer em nossos jardins, desse modo é bom ressaltar que o amor é então apenas o sentimento com menos defeitos. Muitas pessoas me questionam que querem voar, essa pergunta é fácil de lidar. Basta amar. O amor dá asas para quem o sente. Não são concretas e que bom! Coisas concretas se desgastam com o tempo. Asas para a imaginação podem durar o tempo que você quiser. Esperanças para quem já acha que perdeu nessa rota, chamada de vida. Melhor do que qualquer remédio, ganha até do tempo, curando feridas mais rápidas do que qualquer medicina já inventada. O amor quando vem te derruba rapidinho. Ele vem de dentro de você, então como aquela flor que existe na sua janela, cultive-o. O bom de amar, é saber que você é dono das suas ações, seja justo com as suas oportunidades, e até mesmo a sorte se você bem acreditar e não desperdice o amor, jogando-o na primeira lata de lixo que você encontrar. O amor tem nome sujo. O amor leva muita porrada, mas ele ao contrário de você, que quer se matar, continua se transcendendo de gerações a gerações. E só você é capaz de senti-lo, mas ninguém. Único e individual. Se for exagerado, como tudo na vida, não será imortal. As vezes, trocam seu nome. Confundem-no com paixão. Mas que belo palavrão! As pessoas costumam julgar, sem antes conhecer, vai da bela natureza de cada um! Como o belo livro que adquiri e ao ler tive grande desgosto. Se vocês julgam o amor, pouco recebem, erram e perdem. O amor pode ser sofrido, para os fracos que o alimentam, pode ser não correspondido, pois vem de dentro de você. Isso não significa que tenha que vir de outra pessoa. Nasce com liberdade, respeita o livre arbítrio. Vive do lado de outra pessoa. Do lado e não dentro. Isso é importante, mas convenhamos entre nós, que para as frutas maduras, respeitar o próximo, já vem sido usado para o convívio de relações saudáveis. Calma, você é surdo? Eu disse para os amarelos e não para os verdes. Palavras não me faltam, mas se querem uma bíblia demorarei mais para escrever, mas não seria impossível. Demoraria mais ao ter que traduzi-la em todas as línguas, pois o amor é muita coisa. O sentimento é inexplicável, certo? Somos rodeados de instantâneas sensações e temos muitos êxtases, mas o melhor dos citados é quando caímos em uma profunda felicidade, que nunca se atreve em ir embora. Acho, que a alegria formada, pega muitos rascunhos e pedacinhos de você, sendo mais difícil de ser anulada ou esquecida, o que comprova que fazemos de tudo para mantê-la, preservando cada pedacinho que constitui tal sentimento, e superando cada dificuldade de mãos dadas e de almas entrelaçadas com a pessoa que cursamos. Mas que bonito é esse amor, de que tanto falo, hein! Mas a mais alta lâmina de planta em um gramado é a primeira a ser cortada. E que pena, para aqueles que não aceitam e não acreditam. O amor depende do que o próximo rege a você, mas você pode ser independente para saber o quando deve parar, caso esteja se machucando. O ruim é conseguir. E aí, as pessoas botam a culpa no amor. Claro, o segredo do sucesso é saber a quem culpar. Não dá para descrevê-lo, até mesmo os sábios, resolveram rascunhá-lo em quatro letras. O amor é muito mais do que pode ser escrito ou falado. O amor não pode ser resumido e em alto teor de verdade lúcido, apenas sentido. Muitas vezes sentido, de forma que eleva a quem o desfruta e muitas vezes o oposto, tendo sentido rotativo. Para respostas inconseqüentes, a cabível montada seria saber lidar com essa ferramenta, com tantas opções de uso. Para cada uma delas há um conceito, uma imagem, uma decepção, um prazer. Para terminar e fechar com chave de ouro, igualmente aos parnasianos. Ah, então falemos de amor, o que consta nas gramáticas: verbo difícil de conjugar, quem o conjuga desnorteia, e o papel ao qual se escreve fica fácil de rasgar. Ache o seu amor. Deixe ele te achar. '

vocês não irão entender o significado das aspas.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Coragem desperdiçada.

Fechei os olhos. Não abri. Foi de repente, eu caí em um vão, até que tinha muitas cores. Ofuscante. Você não percebe, não tem noção. Que espamo mental. Que viagem transparente ilúcida com bela abstração. Minimamente, detalhes são desenhados, por linhas inexatas criando um cenário muito nada familiar. Você se vê. E você é você. Errada imagem do espelho lhe aparece, toda hora. Hora toda. A imagem é real, não é invertida. E não há espelho. Você se vê. Reflexo imoral, retardado. Fixo, imóvel, estagnado. Você anda. Que engraçado, você sabe que está andando, você até sabe o que está para vir, mas você não arrisca em voltar, você deixa acontecer. Incoerente, contínuo que não pára. Você não se vê mais. Sua chance acabou. Você avista outro alguém. Ele aparece. Você vira o rosto. Não sabe quem é, só sabe que não quer vê-lo. Ele está até onde você não quer que ele esteja. É porque é lorota, você na verdade, quer que ele esteja. Ao se virar, você faz o que sempre fez, se engana. Foge. A realidade é áspera demais. Mas que instinto! Mas que árdua vontade, de dizer que foi reflexo, quando você anda sem olhar para trás. Eu queria uma desculpa para explicar o que eu estava fazendo. Mas ele já está na minha frente de novo. Eu o empurro. E recebo o empurro. Não sei o que está acontecendo. Nem você. Eu não olho pra ver quem é. Eu não usufruo da percepção realista visual que eu possuo de usar meu sentido e olhar para analisar momentos a minha volta. Eu me viro novamente. Ele aparece. Mas que insulto. Quem ele acha que é. Abusa de certa intimidade que deve ter tido, ao ir de cara com a minha personalidade. Deve ter tirado da vontade, aquela afinidade de bater de cara com o que eu me tornei. Confia em si mesmo e acha que pode criar laços, esse sorrisinho no quanto do rosto. Que coicidência, era parecido com o meu. Dessa vez eu subi o olhar até a boca daquele que estava de pé. Pela invasão, mereceu o que lhe era suficiente, e com uma bela bofetada, devolvi. Devolvi o ato incosequente. Me vinguei e que gostinho bom. O rosto dele virou. Que surpresa! Surpresa daquela que temos, quando abrimos um presente de quem gostamos e vemos que ele guardou o que nós queríamos. Surpresa, nervosismo, susto, surto, você não conseguiria responder a razão daquilo ter acontecido. Nem decifrar a emoção sentida. Mas meu rosto virou também. Meu cabelo ao movimento balançou, meu olhar expressivo de culta voltagem de interrogação, fez minha pupila dilatar. Motivo? Não adiantava, por mais que eu procurasse a resposta na caixa vazia que a minha mente é, jamais conseguiria saber o porquê de ter recebido a bofetada também. Minha bochecha ficava cada vez mais vermelha, e é claro que com os sentimentos à tona, eu queria tirar gosto do belo drama, que os meus sentimentos são constituídos. Levei a mão ao rosto. Falei com aquela ceninha que eu demorei anos ensaiando: Como pôde? Tinha medo de encarar quem era, sabe? Não estava preparado ainda, o medo instântaneo impulsivo me fazia recuar. E fui para trás. Coloquei as mãos nos olhos, e corri. Por isso, bati de cara com ele novamente, faíscas me sobem a cabeça, afinal que serzinho de tirar a paciência! Arranhei mesmo no rosto. Usei meus cinco dedos. Parado é que eu não vou ficar, eu prefiro agir, já que tenho o poder de redigir minha própria história com minhas próprias mãos. Interessante, ao saber o quão teimoso, ou quem sabe persistente sou, ao ver meu rosto sangrar com a marca dos meus prórios cinco dedos. A dor foi mais mentalmente do que fisicamente. A ira invadiu o meu corpo. Resolvi checar o olhar. Arriscar é uma forma para obter sucesso. Mas que subida de rosto, jogando o cabelo para trás. Encarei com uma pose muito confiante em mim. No entanto, como mudo de sentimentos, eles nunca ficam parados. Paracem dançar de lá para cá. São agitados, acelerados, exatamente como meu coração ficou ao ver a imagem ali real. Que dor senti ao ver quem era. Abri os olhos. Luz. O ceú estava ficando mais claro. Na janela o vento vinha me visitar, me dizendo palavras bonitas. Perfeito para pensar. Até hoje eu não entendi. Minto. Até hoje eu não aceitei. O bom da resposta é saber até onde posso chegar. O quão tolo sou de não pensar. O quão idiota sou de sempre ignorar que atos apenas voltam para aqueles que o fazem. Você faz mal para você. O quão corajoso sou de sempre machucar, sem ao menos hesitar, a pessoa que eu mais "amo", ou seja, a mim mesmo.

domingo, 1 de março de 2009

Medo.

Você tem medo de que? De amar, de encarar a vida? Você tem medo de mostrar quem você é. Você tem medo de espalhar suas idéias. Acha que ninguem vai aprová-las, se acha incapaz de mostrar verdadeiramente até onde pode chegar. Você quer que a vida seja fácil. Quer que ela te dê todas as respostas, sem ter o trabalho de achá-las. Você não quer se esforçar, não quer tentar. Há tantas pessoas que conseguiram crescer, sem fazer nada. Isso é pelo menos o que você pensa. Crescer economicamente, isso que importa. Você quer moleza. Para que sacrificar anos de estudos, se há empregos mais fáceis? Para que trabalhar jovem? Primeiro são os estudos e depois vem o trabalho. Uma coisa de cada vez, porque a minha mente é muito estreita, ela não pode ir além do que eu estou acostumado, senão pifo. Mas você não quer estudar. Nem um pouco, você quer arranjar um trabalho bem fraco, poucas horas por dia, muito dinheiro, pois você pode ser sustentado. Se não puder, prefere viver com o que tem. Você não quer cultivar o que tem. Não quer dar valor. Dá muito trabalho, apoiar um amigo quando ele está mal, é mais fácil se divertir junto com ele. Sh, isso vai passar. Eu sei como é: é foda. Vamos nos divertir e esquecer. Se você beber, esquece de tudo. Para que precisamos dar valor a cada segundo que vivemos? Viva a sua vida com perigos, deixe ela pra lá, afinal dela você não sai vivo dela mesmo. Eu sirvo para namorar. Sou bonito e beleza é tudo, hoje em dia. Vou pegar uma pessoa aí, fazer sexo com ela e achar que isso é namoro, se eu repetir sempre. Não quero ver um pôr do sol, não quero sair para ver a natureza, andar cansa, sabia? Passear pra que? Não preciso apreciar nada da vida. O mundo está acabando mesmo, vou contribuir para isso. Não vou devolver o troco a mais, vou jogar lixo no chão, pois a lixeira está distante, vou deixar meu celular ligado no cinema e atende-lo no transito. Não to nem aí para as pessoas. Elas também fazem isso. Eu quero mais, não quero doar nada. Sou mais eu, é o que importa. Vou sair por aí pouco me ligando se machuco os outros. Vou falar palavras horríveis para você, porque eu sou assim e não mudar. Sou grosso mesmo. Farei de tudo para eu conseguir o que quero. E foda-se. Vou manter o meu orgulho, que eu acho que é importante, porque reputação importa muito, e o importante é sair vencedor de uma discussão, desentendimento e brigas. O importante é sempre estar certo, é pensar mais em mim, e nunca prestar atenção no que as pessoas me dizem, porque quem sabe dos meus atos sou eu. O importante é fazer dinheiro. O dinheiro move o mundo. Importante? Não, o que eu to falando? Eseencial. Dinheiro é tudo. Já viu pobre feliz? Eu já sei o que eu quero ser. Quero ser um alquimista. Li por aí. Dizem que transformam tudo em ouro, tudo o que eles quiserem. Inventar elixires de vida eterna. E assim viver minha vida medíocrizinha. O medo torna as pessoas vazias, mais vazias do que já são. Elas vagam sem ação, sem reação, sem momentos, sem histórias e sem experiencias. O medo faz você ser indeciso e a sempre voltar atrás. E é unicamente por causa dele, que as pessoas têm medo de encarar ou modificar a realidade, é muito mais fácil aceitá-la e contribuir para a sua desgraça. Se quiserem optar por essa opção, siga-a, mas lembrem-se de que alquimistas nunca existiram...

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Certeza.

E andei por lugares que você nunca andou. E passei momentos que você nunca passou. E senti coisas que você nunca pensou em sentir. Dei valor aquilo que você não sabe nem que possui. Entre abraços e toques, olhares e beijos vaguei mais do que os sete mares que você conheceu. E rodei o mundo atrás de pistas, atrás de soluções, atrás de respostas. Parei de porta em porta para anotar coisas novas que eu aprendia. Busquei sons, busquei músicas diversas, busquei as paixões das pessoas. Preservei o meu ar, o que me fazia vibrar o que me fazia feliz. Tirei cada conclusão de cada situação vivida. Porém o que basta não me é suficiente, o que eu quero não está a venda em qualquer loja por aí, senhor. Isso é se eu realmente sei do que corro atrás. Eu não sei. Eu quero mais, quero sempre mais. O seu máximo não serve para muita coisa, porque simplesmente eu nunca cheguei no meu próprio limite. No meu máximo. Não posso medi-lo. Não posso pegar uma régua e marcar medidas matemáticas para algo abstrato. Sempre existem limites, porque uma reta nunca é totalmente reta. Enxergue de mais perto. Posso te emprestar uma lupa. As vezes uso para notar as coisas mínimas que as pessoas fazem. Porque tudo o que é pouco me contenta. Não sou nem um pouco contraditório. Se o pouco me contenta, por que quero sempre mais? Porque muitas vezes eu enjoo do pouco. Afinal, ele é muito pouco. O tempo é que enjoa nos limites. Tudo o que dura muita enjoa e o pouco não é exceção.

Mas se tu me duvidas, de tudo, te dou algumas únicas certezas, começando afirmando, que do meu amor você teve por completo, que um de meus mais simples gestos foi verdadeiro e o meu sorriso ao me sacrificar por algo que não queria mais sincero não existiu. Então se ainda me questionas, viro, aponto para a sua cara de confuso e te digo:

— Que por mais que o mundo mê voltas, de nada posso viver, se eu ainda não achei ou procurei o meu próprio eu.